Confesso que o Sr. Mario Costeja González, tem todo o direito de
lutar por aquilo que acredita, acionando a justiça para rever uma posição que ele
considerava ser desfavorável a sua imagem. Mas, a discussão foi levantada e precisamos
refletir sobre ela. De que maneira a internet deve se comportar com minhas
informações quando expostas publicamente e com o meu consentimento, mas logo
depois ser obrigada a retirá-las de circulação, pois as mesmas informações agora
me colocam diante de situações constrangedoras ou vexatórias? É uma questão
muito difícil, pois a partir do momento que uma informação é tornada pública,
indexada em blogs ou nas redes sociais, fica muito difícil retirá-la de
circulação, sobretudo, porque atualmente existem mídias portáteis de
armazenamento extremamente potentes, levando as pessoas a multiplicarem conteúdos,
que podem aparecer em outros momentos, a partir do armazenamento desses dados.
Por outro lado, existe outra questão muito bem abordada pelo artigo: e se todos
começarem a solicitar o mesmo procedimento? Ou seja, a internet só tornará
público aquilo que interessar ao indivíduo? E se políticos e empresas
envolvidas em corrupção tomarem a mesma atitude, como ficará a web? Como o
cidadão e o público terão acesso às informações? E se governos aproveitarem o
mesmo procedimento para impor uma forma de censura aos seus cidadãos? São
dilemas para o século XXI.
Um espaço para discussão e análise de temas ligados a educação, política, economia, teologia, evangelismo, sexualidade, cidadania, história e geografia.
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domingo, 15 de fevereiro de 2015
sexta-feira, 6 de junho de 2014
Mordaça na rede mundial
No artigo "A
internet e a educação" publicado em março neste blog, eu já advertia para o
potencial revolucionário que a internet possui para a ampliação do conhecimento
como um serviço à educação; rapidamente também comentei porque ela acabou se
tornando uma ameaça a certos setores, que vem agindo para minimizar o poder
deste impacto. A reportagem que se segue aborda um pouco mais esses perigos.
domingo, 23 de março de 2014
A internet e a educação
Por Luciano Borges de Santana
Pessoalmente,
considero que a internet é a mais revolucionária criação humana depois da
escrita. Muito mais revolucionária do que a própria invenção da imprensa dos
tipos móveis pelo alemão Johannes Gutenberg no século XV. Os
primeiros códigos de escrita desenvolvidos na China, Índia, Egito e Mesopotâmia
permitiram que ideias, ideais, sentimentos, valores, finanças, transações
comerciais, acordos diplomáticos, descobertas científicas, mitos, discursos políticos,
filosóficos e religiosos e o cotidiano das pessoas, fossem registrados e
deixados como um testemunho para a posteridade, acerca da existência e dos
fatos marcantes vivenciados por aquela sociedade, em um determinado momento da
história. A imprensa de Gutenberg, também teve seu valor incalculável para
a história, porque barateou os livros e diminuiu o tempo de fabricação das
obras escritas. Com a invenção da prensa dos tipos móveis, um numero maior de
pessoas puderam ter acesso ao conhecimento, que antes, por força das
circunstâncias histórias, era restrito aos monastérios, universidades e alguns
cientistas e pesquisadores particulares.
Mas, a internet supera tudo isso. A rede mundial de computadores, por exemplo, permite a uma pessoa entrar virtualmente em alguns museus do mundo, sem sair do conforto de sua residência. Informações são cotidianamente disponibilizadas na rede, possibilitando o acesso em tempo real aos acontecimentos mundiais. Se antes, a notícia quando publicada já corria o risco de estar desatualizada, com a internet ela é atualizada em tempo real. As comunicações nunca avançaram tanto no mundo com a chegada da rede mundial de computadores, onde qualquer programação de rádio e TV pode ser disponibilizada via streaming na rede, até mesmo para grupos e mídias de comunicação que não possuem emissoras ou rádios particulares. A internet também deu voz aos grupos ou segmentos marginalizados pela grande mídia, que não interessavam às grandes corporações ou ao próprio Estado de direito. Através da rede, esses cidadãos podem demonstrar suas convicções, criticar o que acham errado, questionar o "politicamente correto ou incorreto" ou se mobilizar para manifestações, passeatas ou campanhas de assinaturas virtuais. Claro, que a internet oferece riscos, sobretudo com a avalanche de vírus e golpes virtuais praticados na rede, além da disponibilidade de conteúdo com mensagens racistas, tirânicas e propagadoras do ódio e da violência.
Mas, foi no campo da educação que a internet deu uma colaboração sem precedentes na história humana. Livros, revistas, artigos acadêmicos, obras de referência, conteúdo jornalístico, vídeos, debates e reflexões estão disponíveis gratuitamente na rede aos cidadãos de todas as classes sociais. Cursos livres, técnicos, de graduação e pós-graduação formam brasileiros todos os anos, alcançando através da Educação a Distância ou do ensino semipresencial os rincões mais distantes do país. Não é possível mais ignorar o poder que essa ferramenta da comunicação humana alcançou para o nosso dia a dia. Talvez, essa seja a razão pela qual alguns projetos e discursos no mundo contemporâneo estejam agindo para impor limites e controles a internet livre.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
A agonia da liberdade na América Latina
A liberdade de
imprensa é um dos pressupostos básicos de qualquer democracia. Evidentemente há
um preço a se pagar, pois a imprensa é livre, mas não necessariamente
independente. O que significa isso? Que a liberdade de imprensa não é
devidamente acompanhada de uma clara e transparente apuração dos fatos, algo que
deveria estar inevitavelmente ligado ao mundo da mídia. Mas, na prática não é
isso o que ocorre. A imprensa pode ter contrato ou não com os governos e
geralmente se posiciona em determinadas situações confundindo o cidadão com sua opinião
particular dos fatos. Todavia, seja de direita ou de esquerda, considero que é
muito melhor que assim aconteça do que existir uma censura ditatorial a
qualquer posição manifestada pelos meios de comunicação.
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