Mostrando postagens com marcador Evangélicos na mídia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Evangélicos na mídia. Mostrar todas as postagens

sábado, 1 de março de 2014

Quando o palco vira um altar

O novo nascimento é uma das mais importantes doutrinas bíblicas pregada na maioria das igrejas evangélicas. Digo maioria, porque muitas igrejas já abandonaram essa doutrina em troca de um evangelho fácil, sem renúncia e dominado pelas teologias da missão integral ou da prosperidade. O novo nascimento nada mais é do que a conversão operacionalizada pela ação do Espírito Santo de Deus, gerando um novo homem no sentido espiritual e salvífico, bem como a transformação verificada na vida do indivíduo a partir do momento que ele recebe a Jesus Cristo como seu único e suficiente Salvador. Logo, é impossível uma salvação que não gere uma transformação, sendo também impossível que esta não seja perceptível diante daqueles que nos cercam.
Temos visto nestes últimos tempos inúmeras personalidades da música secular alegando uma conversão ao protestantismo. Entre altos e baixos, nos surpreendem algumas declarações dessas pessoas, algum tempo depois da alegada conversão, que fazem os demais evangélicos questionarem se ela realmente ocorreu ou se não foi um mero momento oportunista. Outra questão que também vem preocupando é a atitude de alguns desses cantores, que parecem apenas cantar músicas evangélicas ou para os crentes, quando sabemos que o verdadeiro louvor é "o fruto dos lábios que confessam o seu nome" (Hb. 13.15).

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Rachel Sheherazade, um bandido pelado e a moral de cueca do PSOL

Em mais um artigo, segue-se uma nova abordagem sobre o caso Rachel Sheherazade. Dest vez por Michael Caceres, colunista do portal GospelPrime.

Por Michael Caceres

O PSOL saiu – com sua moral de cueca – em defesa do bandido espancado, amarado ao poste, pelado, nu e com a mão no bolso. Faz-me rir! Basta lembrar que o partido está por trás do terrorismo moderno chamado Black Blocs. As esquerdas, com as suas ditaduras de opinião, acham convincente defender bandidos e ignorar a sociedade.
No caso da jornalista Rachel Sheherazade o problema não é a dita “apologia ao crime”, mas a critica ao bandido.  É papel dos esquerdistas lidar com os fatos através da distorção. Falo caros leitores, da polêmica criada pelo PSOL em torno da opinião de Sheherazade no SBT Brasil de terça (4).
Ao fazer um comentário a favor dos cidadãos que detiveram um assaltante, o agrediram e o deixaram nu e preso com uma trava de bicicleta a um poste, Sheherazade provocou a ira dos intelectuais de esquerda e defensores dos Direitos Humanos.
Antes que prossiga: os leitores — católicos, evangélicos, agnósticos, ateus etc. — conhecem a minha opinião: Sou a favor da justiça, contra a violência, mas sempre favorável à punição de bandido. E ponto! Pode parecer tautológico, mas bandido bom é bandido preso – ou punido, leia-se como achar melhor.
Para começo de conversa, é importante ressaltar que pegar Sheherazade como ícone da “direita” é conveniente às ideologias de esquerda. Afinal, por mais que os cidadãos – os sem máscaras – sejam pressionados pelos fatos distorcidos apresentados pelos ditos intelectuais progressistas, o bom senso da maioria é contra a inversão de valores morais que a esquerda promove.
O PSOL fez um bafafá, o líder do partido na Câmara dos Deputados, Ivan Valente, com muita coragem – se me permitem o trocadilho – ameaçou procurar o Ministério Público e declarou: “Defendo total liberdade de imprensa, mas não a liberdade para mandar torturar, matar, assassinar e fazer justiça com as próprias mãos. Ser anticonstitucional, ilegal e aplaudida, para quê? Atrás do Ibope?”.
Muito bem! As sugestões de Valente não foram citadas por Sheherazade, tudo o que ela disse foi que era “compreensível” a atitude dos cidadãos que prenderam o bandido ao poste. A fala da jornalista foi: “Num país que sofre de violência endêmica, a atitude dos vingadores é até compreensível”, disse. “O Estado é omisso, a polícia desmoralizada, a Justiça é falha… O que resta ao cidadão de bem, que ainda por cima foi desarmado? Se defender, é claro”. Ela ainda completou: “O contra-ataque aos bandidos é o que chamo de legítima defesa coletiva de uma sociedade sem Estado contra um estado de violência sem limite”.
Mas valente fala aquilo que seu partido está familiarizado. O partido tem entre os seus fundadores o italiano Achile Lollo. Jogou gasolina por baixo da porta da casa de um adversário político e meteu fogo. No imóvel, estavam um gari, sua mulher e seis filhos. Dois morreram queimados: Stefano, de 8 anos, e Virgilio, de 22. Entenderam? Faz parte do jogo político do PSOL “torturar, matar, assassinar e fazer justiça com as próprias mãos”.
A jornalista cristã já havia sido alvo do terrorismo dos intelectuais de esquerda em outra ocasião. No ano passado, mais precisamente em 26 de dezembro, no Facebook do filósofo Paulo Ghiraldelli Jr. foi postada a seguinte mensagem: “Meus votos para 2014: que Rachel Sherazedo seja estuprada”. Logo em seguida: “Votos para 2014: que a Rachel Sherazedo abrace bem forte, após ser estuprada, um tamanduá”. Hum? Se os socialistas do PSOL saíram em defesa da jornalista? Evidente que não.
Para um socialista do PSOL a suposta luta contra o preconceito, é apenas uma nuvem de fumaça para esconder o totalitarismo, a ditadura de opinião e as campanhas sorrateiras para inversão de valores morais. Um exemplo desta falsa luta pela liberdade de expressão e pelos direitos sociais está nas manifestações nas ruas. Em São Paulo, por exemplo, o serviço secreto da PM descobriu que militantes do partido estariam recrutando punks para o quebra-quebra durante as manifestações contra o aumento das tarifas no transporte.
O que quer essa gente? Repito: a inversão de valores e o totalitarismo por meio da violência e do terrorismo intelectual. Ou: faz parte da esquerda a imposição de uma luta de classes. Vamos pensar um pouquinho. A guerra de valores na sociedade entre “conservadores” e “progressistas” – estou do lado conservador, antes que me perguntem – tem sempre os partidos de esquerda envolvidos.
Não por acaso, o PSOL tem entre seus militantes Jean Wyllys, ex-bbb, deputado federal e ativista gay. Wyllys é do tipo que veste a camisa do partido. Eis aí. Por isso, busca distorcer fatos, impor o que chama de “direitos” e apresentando sempre uma opinião recheada de preconceito de classes faz da bandeira seu ideal. Tratarei sobre Wyllys no próximo artigo.
Comento:
A fala de Sheherazade é fácil de interpretar, não tem nada de apologia ao crime, mais um desabafo sobre o terror da impunidade e da injustiça que se instaura no Brasil. Vamos por parte.
“Num país que sofre de violência endêmica, a atitude dos vingadores é até compreensível”.
O que é “compreensível” é a busca por justiça, a atitude dos cidadãos em tentar resolver o problema que as autoridades não conseguem resolver. Sheherazade não disse que o justificável é “mandar torturar, matar, assassinar e fazer justiça com as próprias mãos”, mas a atitude de reação contra a violência, por isso ela começa falando sobre a situação do país: “País que sofre de violência endêmica”. E prossegue: “O Estado é omisso, a polícia desmoralizada, a Justiça é falha…”.
A imagem do Brasil e a cara que a imprensa progressista pintou para os cidadãos reflete a sensação de omissão, desmoralização e injustiça. Um Estado omisso, uma polícia desmoralizada e mal paga, com uma Justiça falha, que segue um Código Penal ultrapassado.
“O que resta ao cidadão de bem, que ainda por cima foi desarmado?”. Qualquer criança responde a esta pergunta. O cidadão de bem não vai sair para as ruas usando máscaras e quebrando a cidade. O cidadão de bem não vai colocar fogo na casa do prefeito ou dos representantes do Estado. O cidadão de bem vai buscar: “Se defender, é claro”. Uma pergunta: O que o cidadão de bem faz para proteger sua família?
Ela ainda completou: “O contra-ataque aos bandidos é o que chamo de legítima defesa coletiva de uma sociedade sem Estado contra um estado de violência sem limite”.
Encerro:
Em nenhum momento a jornalista disse que era justificável torturar, matar, pelar – se me permitem a piada – ou qualquer tipo de ação extrema. O que ela diz ser justificável é a busca por justiça diante de um Estado injusto. Mas os palermas não conseguem entender este tipo de fala, não conseguem se posicionar ao lado do cidadão de bem, por isso as críticas, por isso as mentiras, por isso a ira.
É mais justificável tratar o cidadão a paus e pedras – usando máscaras, é claro – do que o bandido como ele merece ser tratado.

Fonte: CACERES, Michael. Rachel Sheherazade, um bandido pelado e a moral de cueca do PSOL. Disponível em: <http://artigos.gospelprime.com.br/rachel-sheherazade-psol-esquerda-progressista-bandido-pelado/>. Acesso em: 19 fev. 2013.

O comentário de Rachel Sheherazade e o discurso de censura

O comentário de Rachel Sheherazade ainda está rendendo o que falar. O PSOL, partido do deputado Jean Wyllys, foi quem desta vez resolveu se manifestar. Agora, o partido entrou com uma representação contra o SBT no Ministério Público devido às declarações de Rachel Scheherazade, alegando que "a jornalista tenha incentivado a prática da justiça com as próprias mãos com seu comentário durante o telejornal SBT Brasil." Não que eu necessariamente concorde com tudo o que Rachel Scheherazade apresenta em seus comentários; todavia, eu não vi ninguém deste partido sair em defesa da jornalista quando o filósofo Paulo Ghiraldelli Jr. desejou que ela fosse estuprada. “Meus votos para 2014: que Rachel Sherazedo seja estuprada”. Logo depois outra postagem: “Votos para 2014: que a Rachel Sherazedo abrace bem forte, após ser estuprada, um tamanduá”. Para maiores informações siga o link que se segue: <http://professorlucianoborges.blogspot.com.br/2014/01/rachel-sheherazade-mulher-que.html>. O artigo que se segue foi escrito por Valmir Nascimento, que é presbítero da Assembleia de Deus em Cuiabá (MT), graduado em Direito, pós-graduado em Direito e Antropologia da religião, analista judiciário federal, palestrante na área de Gestão de Créditos e educador cristão.

Por Valmir Nascimento

Dois eventos envolvendo violência chamaram a atenção do Brasil nos últimos dias: o assaltante que foi preso e amarrado nu a um poste por um grupo de jovens, no Flamengo, Rio de Janeiro; e a morte do cinegrafista da TV Bandeirantes, Santiago Andrade, atingido por um rojão enquanto cobria o confronto entre manifestantes e policiais durante protesto também no Rio de Janeiro.
O primeiro caso recebeu maior repercussão em virtude dos comentários da jornalista do SBT Rachel Sheherazade, que mandou aqueles que se apiedaram do rapaz amarrado ao poste, que adotassem um bandido. Isso foi o suficiente para ser acusada - de forma estridente - de apologia ao crime, violação aos direitos humanos, preconceito e incitação ao ódio.
Mas, afinal de contas o comentário de Sheherazade foi tão inconsequente e violento a ponto de justificar o linchamento moral contra a sua pessoa? O que há por trás da discussão travada na sociedade nos últimos dias? Esses dois pontos de indagação podem nos ajudar a compreender as nuanças do contexto sociocultural brasileiro, as ideologias por trás dos discursos, as cosmovisões conflitantes e - o mais importante - as táticas da guerra cultural em andamento.
Vivemos, como afirmou Dallas Willard em A Conspiração Divina (p. 29), sufocados por slogans, em que acontecimentos, coisas e informações nos afogam, nos subjugam, desorientando-nos com ameaças e possibilidades acerca das quais a maioria de nós não sabe o que fazer. Ele diz que “comerciais, slogans, bordões políticos e pretensiosos rumores intelectuais atulham o nosso espaço mental e espiritual. As nossas mentes e os nossos corpos ‘pegam’essas coisas como um terno escuro pega fiapos”.
Por isso, a leitura e o entendimento do que há por trás de tantos slogans e de tanta informação, indo na raiz dos pressupostos subjacentes às ideias, é essencial para que o cristão coloque em prática o principio bíblico do discernimento.
Quanto ao comentário, em artigo publicado na Folha de S. Paulo no dia 11.2.14, sob o título “Ordem ou barbárie”, a própria jornalista reafirmou compreender (e não aceitar) a atitude desesperada dos justiceiros do Rio. Ela também observou que embora não respalde a violência, a legislação brasileira autoriza qualquer cidadão a prender outro em flagrante delito, e além disso o Direito ratifica a legitima defesa no artigo 22 do Código Penal.
Ainda que o Estado seja ineficiente e a segurança pública esteja em frangalhos, não é concebível aceitar a ideia do retorno da sociedade ao estágio da vingança pessoal, sob pena de legitimar o barbarismo, a desorganização social e a quebra da autoridade estatal na aplicação da justiça. Nesse ponto, o comentário de Sheherazade é passível de crítica (assim como qualquer outro), mas não de censura, acusação de incitação ao ódio ou de apologia criminosa, afinal ela deixou bem claro ter compreendido (e não endossado) a ação dos justiceiros. Em ética isso se chama senso moral, materializado por nossos sentimentos positivos ou negativos, a exemplo da raiva, remorso, indignação, vergonha, solidariedade, compaixão, altruísmo etc. Diante de tamanha impunidade que grassa no meio social é compreensível, mas não justificável, o sentimento de revolta contra bandidos que roubam, matam e danificam os cidadãos do bem, provocando a reação das vítimas além dos limites legais.
Mas, a opinião da âncora do jornal SBT Brasil foi interpretada como uma espécie de heresia social, um crime capital cometido por pessoas desprovidas de senso de responsabilidade e controle emocional. Pediram a cabeça da jornalista. Seu comentário foi repudiado. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro solicitou à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) a abertura de investigação por suposta violação aos direitos humanos e ao código de ética da classe profissional.
A resposta desproporcional e raivosa por uma parte da sociedade contra a opinião da moça é algo que salta aos olhos. E o motivo da gritaria midiática também é notório. Há algum tempo os comentários conservadores de Sheherazade, na contramão de uma mídia dominada pelo liberalismo, tem irritado os defensores do pensamento politicamente correto. Sheherazade é a pedra no sapato do esquerdismo social. Seus posicionamentos firmes contra manifestações arruaceiras, carnaval patrocinado pelo poder público e rolezinhos, somente para citar algumas de suas opiniões, a colocaram em rota de colisão contra aquela turma de jornalistas e supostos intelectuais que idolatram Marx e dizem amém para Engels. E, ironicamente, como escreveu Olavo de Carvalho, “a reação indignada contra os populares que ousaram "fazer justiça com as próprias mãos" partiram especialmente de pessoas que, quatro décadas atrás, faziam exatamente isso”.
Os ataques, portanto, não se destinaram especificamente para o comentário jornalístico; mas para a própria Sheherazade. Essa é a tática utilizada pela esquerda para tentar vencer um debate: crie um estereótipo caricato do seu oponente para que as pessoas não ouçam o que ele diz. Um artigo publicado na internet exemplifica essa sórdida estratégia: “Ela é loira, magra, com cara de “séria”, cristã e mãe de família. Ao mesmo tempo é uma pessoa “firme”. Quer justiça. Mesmo que seja feita pelas próprias mãos. Quer o fim dos “marginaizinhos”, dos “vândalos de shopping”. (esse lugar para a família). Raquel Sheherazade, a apresentadora o SBT, é a cara da classe média/alta brasileira “de bem”. Pessoas com ódio no coração. Mas que, como ela, afirmam estar do lado dos cidadãos “do bem”. É como se o fato dela ser magra, com cara de “séria”, cristã, mãe de família e da classe média a transformasse numa espécie de desqualificada, fora dos padrões de um sociedade pluralista e relativista.
O direcionamento dos ataques por motivos ideológicos fica ainda mais evidente quando observamos que críticas semelhantes e com a mesma intensidade não são dirigidas, por exemplo, a apresentadores de programas policiais, ainda que de repercussão nacional, que reiteradamente proferem comentários bem mais intensos e “justiceiros” do que aquele exposto por Sheherazade. Qual seria a diferença - do ponto de vista do jornalismo - entre a opinião da apresentadora do SBT e dos demais apresentadores? Nenhuma. Mas, um amigo me justificou que Sheherazade posa de intelectual, e por isso seus comentários têm mais peso do que os demais. Por essa lógica, poderíamos entender que a jornalista deve ser censurada exatamente por expor suas ideias com convicção. Ou seja: é proibido pensar!
Obviamente que o argumento é frágil. Mas é preciso entender que essa discussão não vem em um vácuo, ela faz parte do embate cultural, dentro de um ambiente de pluralismo e relativismo sem precedentes.
Pode parecer absurdamente estranho que no interior dessa sociedade plural e inclusivista os próprios apologetas da diversidade se fechem dentro de seu mundo utópico enquanto rejeitam os outros mundos. D. A. Carson, em seu recente livro O Deus Amordaçado, capta bem o espírito do nosso tempo, chamando esse pluralismo de filosófico ou hermenêutico que gera muitas abordagens em apoio de uma postura: a saber, que qualquer noção de que uma declaração ideológica ou religiosa em particular é intrinsecamente superior a outra é necessariamente errada. A efeito, diz Carson, o único credo absoluto é o credo do pluralismo, que nasce a partir de uma nova hermenêutica de desconstrução, cujo principal alvo a ser atingido é o “fundamentalismo/conservadorismo”.
Em outras palavras, os detratores de Sheherazade, apesar de sustentarem teoricamente a tolerância social, são intolerantes práticos, que não suportam comentários e opiniões que contrariam suas cosmovisões e esmigalham suas ideias infundadas. Toda conduta deve ser aceita e qualquer ponto de vista moral merece espaço na mesa pública. Menos os conservadores, é claro, “fundamentalistas e defensores da moralidade judaico-cristã. Contraditoriamente, esses parecem não ter direito a nenhum tipo de tolerância. Essa é a visão cínica e hipócrita dos progressistas.
Rachel Sheherazade, volto a dizer, é passível de crítica, assim como qualquer outra pessoa. Mas, a censura contra a sua opinião e a manipulação da mídia em seu desfavor são coisas que estão muito além da mera crítica contraditória e da divergência no reino das ideias. É um verdadeiro linchamento moral, como se ela própria tivesse violentado e amarrado o rapaz ao poste, ou cometido coisa ainda pior. Os valores são tão invertidos que até a expressão “pessoas do bem”, vejam só vocês, passou a ser considerada como preconceituosa e descabida, um tipo de elitismo da classe média.
E esse tipo de tática é desprezível.
Cabe agora um comentário final. O apoio ao pensamento conservador não significa que aqueles que defendam um ponto de vista social de direita, diga-se de passagem, estejam isentos de erros e devam ser apoiados sempre. Isso porque, como escreveu Charles Colson, a integridade precede a lealdade; pois a lealdade, não importa o quão admirável seja, pode ser perigosa se investida em uma causa indigna. Já a integridade vem do verbo grego integrar, que significa tornar-se unido para formar um todo completo ou perfeito, e por isso nossas ações devem ser coerentes com nossos pensamentos.
Por isso mesmo, discernimento e sabedoria bíblica (Pv. 2.6; 21.30) são imprescindíveis para separar o joio do trigo, a fim de refutarmos apropriada e oportunamente comentários que desbordam das Escrituras e da cosmovisão cristã. Até na esfera social, em assuntos relacionados à política, mídia e direito, é preciso agir como os bereanos (At. 17.11), examinando se aquilo que ouvimos confere ou não com as Escrituras.

Fonte: NASCIMENTO, Valmir. O comentário de Rachel Sheherazade e o discurso de censura. Disponível em: < http://www.cpadnews.com.br/blog/valmirnascimento/?POST_1_99_O+COMENT%E1RIO+DE+RACHEL+SHEHERAZADE+E+O+DISCURSO+DE+CENSURA.html>. Acesso em: 15 fev. 2013.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Rachel Sheherazade: a mulher que aterroriza a esquerda

     Li o artigo e alguns comentários postados pelos leitores na página indicada no final do artigo. A maioria concordava com o articulista tecendo outras observações ou repúdio aos comentários do filósofo Paulo Ghiraldelli Jr. Mas, uma pessoa que se identificou por Uatá, procurou amenizar a gravidade do que o filósofo escreveu. "Pode ser ele o autor do post, ao meu ver, sem problemas. A questão é como se movimentam em torno de visões de mundo. (...) O problema é o linchamento, imagina, supondo que seja eu ou você, dizer de primeira, EU FIZ! Há risco de quebradeira e de morte não só minha, mas de terceiros. O maior perigo é o linchamento virtual passar para a vida real devido ao transe emocional." É um argumento estranho, porque o pastor Marco Feliciano passou pelo mesmo processo e a esquerda em nenhum momento exerceu piedade. Pegaram frases soltas, desconexas e declarações infelizes para linchar o pastor publicamente. Algum esquerdista se preocupou com isso? Não. E no final do comentário, o leitor Uatá nos brinda com uma declaração que revela o motivo para tanta preocupação. "Agora essa jornalista, bom, ela é apenas o produto de todo moralismo aprendido em igrejas evangélicas somado ao moralismo cruel de um posicionamento ultra-conservador de direita, aí você solta essa coisa na TV e as pessoas mais limítrofes compram a ideia dela." Preciso comentar mais alguma coisa?

Por José Maria e Silva

Autor de vários livros adotados em faculdades de Pedagogia, o filósofo Paulo Ghiraldelli Jr. desejou, como votos para 2014, que a âncora do jornalismo do SBT seja estuprada — não por ser misógino, mas por ser membro de uma universidade quase totalitária.
Volta e meia os institutos de pesquisa avaliam o grau de confiança da população nas principais instituições do País, como partidos políticos, igrejas, sindicatos, empresas, organizações não governamentais, polícia, Corpo de Bombeiros, Correios, Congresso Nacional, etc. Até a credibilidade de Deus é posta em questão: as pesquisas também querem saber se as pessoas acreditam ou não n’Ele. Curiosamente, só os intelectuais e as universidades nunca são avaliados – é como se fossem mais infalíveis do que Deus. Parece não passar pela cabeça dos pesquisadores de opinião que alguém possa não confiar num professor universitário. De fato, se fosse feita uma pesquisa de opinião para avaliar o grau de confiança da população nas universidades e nos intelectuais, o índice de aprovação seria altíssimo. O que é um perigo.
Os intelectuais não são imunes ao erro e estão longe de ser um exemplo de moralidade. Se as pessoas comuns soubessem do que os intelectuais são capazes, especialmente quando ungidos pela suposta santidade da ciência, elas ficariam estarrecidas. Basta dizer que o terrorismo moderno é, sem dúvida, uma criação da intelectualidade universitária, que não só apoia a ação de grupos terroristas como sempre foi a fonte de seus principais líderes. Que o diga a luta armada brasileira, feita com braços arregimentados nas universidades. Quando os guerrilheiros do grupo colombiano M-19 tomaram a embaixada da República Dominicana em Bogotá, em fevereiro de 1980, e fizeram cerca de 60 reféns, inclusive embaixadores, os universitários colombianos promoveram manifestações de apoio aos terroristas nas imediações da embaixada.
Hoje, o “terrorismo intelectual”, para usar uma expressão do jornalista e ensaísta francês Jean Sévillia, está cada vez mais ousado, disfarçando-se de ciência de ponta quando não passa da mais baixa mistura de ideologia marxista e instintos primitivos. Uma de suas versões mais sorrateiras é a suposta luta contra o preconceito, por meio da ditadura do “politicamente correto”. Para­doxalmente, o terrorista intelectual também é capaz de fingir que se insurge contra essa ditadura em nome da liberdade de expressão, sendo que, na prática, faz o contrário. Um exemplo de terrorismo intelectual que se enquadra justamente nesse último aspecto do fenômeno são os agressivos ataques à jornalista Rachel Sheherazade, âncora do telejornal “SBT Brasil”. Uma das fontes desses ataques é o filósofo Paulo Ghiraldelli Jr., autor de vários livros e professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
Na quinta-feira, 26 de dezembro, no Facebook do filósofo Paulo Ghiraldelli Jr. foi postada a seguinte mensagem: “Meus votos para 2014: que Rachel Sherazedo seja estuprada”. Logo em seguida, foi postada outra mensagem com o mesmo teor: “Votos para 2014: que a Rachel Sherazedo abrace bem forte, após ser estuprada, um tamanduá”. Alertada por um amigo, Shehera­zade denunciou os ataques em seu Twitter: “Caso grave de incitação ao crime, promovido pelo Sr. Paulo Ghiraldelli ou quem se faz passar por ele. Compartilhem!” Em seguida, questionou diretamente o próprio filósofo: “Sr. Ghiraldelli, liberdade de expressão termina onde começam calúnia, difamação, ameaça, incitação ao crime! Vai aprender isso num tribunal!”. E, no dia 30, a jornalista postou no Twitter: “Mis­são cumprida: esta manhã fui à delegacia competente representar penalmente contra meu agressor ou quem se faz passar por ele. Agora, é só aguardar as providências legais e a providência divina. Tenho a certeza de que cumpri meu papel de cidadã”.
Diante da pronta reação da jornalista, o filósofo recuou. Numa mensagem enviada diretamente para o Twitter de Sheherazade, Ghiraldelli tentou se justificar: “Prezada Rachel Sheherazade, não sou favorável a qualquer incitação à violência contra mulher, menos ainda à imprensa. Posso me explicar?” Reparem que, já nessa curta mensagem, Ghiraldelli tropeça na gramática e na ética e mostra que nada entende de direitos humanos, apesar de fingir defendê-los. Para o filósofo, uma incitação à violência contra a mulher é menos grave do que uma incitação à violência contra a imprensa. É como se instituições abstratas não fossem feitas de seres humanos concretos e fosse possível preservá-las descartando as pessoas. Por esse esconso critério de Paulo Ghiraldelli Jr., uma ditadura sanguinária que fuzilasse gente seria preferível a uma ditadura autoritária que apenas empastelasse jornais. Felizmente, para a família Mesquita, o ditador Getúlio Vargas não achou que poderia fuzilar os donos do “Estadão”, já que mantivera o jornal circulando mesmo sob intervenção.
Paulo Ghiraldelli negou ser o autor dos votos de que Rachel Sheherazade seja estuprada em 2014. Ele alegou que seu Facebook foi invadido por “hackers” e apagou as mensagens de incitação à violência contra a jornalista. Mas o filósofo deve ter fugido das aulas de lógica. Se não é o autor das mensagens injuriosas contra Sheherazade, Ghiraldelli não pode se limitar a pedir desculpas a ela por um crime que alega não ter cometido – até para demonstrar sua alegada inocência, seu dever é prontificar-se a ajudar a jornalista a descobrir o criminoso que a atacou. Para isso, tão logo se deu conta da invasão, além do pedido de desculpas e de apagar as mensagens, ele próprio deveria ter recorrido à polícia para descobrir quem foi que o usou para atacar a âncora do SBT. Todavia, o filósofo fez o contrário: ele tentou – e continua tentando – se passar por vítima, não só do suposto “hacker” que teria invadido seu perfil, mas também da “direita” e até da própria Rachel Sheherazade, a verdadeira vítima nessa história, uma vez que tem sido alvo recorrente de ataques da esquerda.

O desespero do filósofo contraditório

Paulo Ghiraldelli Jr. é um dos que atacam sistematicamente a âncora do SBT apesar de ter tentado negar esse fato na entrevista que concedeu à “Folha de S. Paulo” em 28 de dezembro, em reportagem de Anahi Martinho. Ghiraldelli, segundo o jornal, negou ser o autor das postagens e disse que ficou surpreso com a reação da jornalista: “Eu não tenho absolutamente nada contra aquela moça. Conheço o trabalho dela, sei quem ela é, mas jamais escrevi nenhuma frase contra ela” – declarou à “Folha”, num surto de amnésia. O jornal acrescenta: “Demonstrando irritação com a polêmica e a reação do público, ele afirmou não temer um processo na Justiça. ‘Minha carreira de 40 anos e meus livros não valem nada? O que vale é um Twitter que nem posso comprovar se fui eu que escrevi ou não? Se eu for processado, vou lá no tribunal, respondo. Se for condenado, pago uma cesta básica e pronto. Não vai acontecer absolutamente nada. É o milésimo processo que eu vou tomar’, disse.” Ainda segundo a “Folha”, Paulo Ghiraldelli “também negou ser o autor de outras postagens antigas ironizando Shehera­zade, encontradas em suas contas no Twitter e Facebook”.
As declarações de Paulo Ghiral­delli são tão contraditórias que não parecem saídas da boca de um filósofo. Ao mesmo tempo em que diz não ser autor dos ataques à jornalista, ele zomba da Justiça ao dizer que sua condenação, se ocorrer, não passará do pagamento de cestas básicas. Mas, valendo-se do Twitter, ele mandou uma sequência de mensagens para a âncora do SBT que revelam certo desespero: “Prezada Rachel Sheherazade, eu retirei minha conta do ar, em respeito a você, agora peço que tire o post do ar para não incitarmos torcidas. Não há nenhuma justiça nos julgamentos a priori, nas denúncias a partir de meios inseguros. Isso é linchamento público. Repudio. Gostaria que tirasse do seu Face a conclamação contra mim, pois trata-se de injustiça. Eu estou pedindo desculpas públicas”. Reparem na distorção dos fatos promovida pelo filósofo: de algoz de Rachel Sheherazade, ele tenta se passar por sua vítima, acusando a jornalista de linchá-lo publicamente, quando ela está apenas se defendendo dos ataques sórdidos que sofreu. É uma ignomínia que um filósofo e professor universitário – sustentado com dinheiro público – tenha esse tipo de comportamento.
Nas declarações à “Folha de S. Paulo”, o filósofo Paulo Ghiraldelli Jr. manteve essa estratégia de criminalizar Rachel Sheherazade: “Quando recebi o recado dela no Twitter, duvidei que era ela de verdade. Sou um simples professor de filosofia, um coitado, completamente desconhecido do mundo. E de repente uma jornalista da televisão querendo me caçar? A maneira com que ela me abordou não foi normal”. Ele disse que jamais faria piadas com conteúdo violento: “Eu não gosto desse tipo de brincadeira [sobre estupro]. Não é do meu feitio. Embora não ache que se deve censurar humorista, caçar gente por aí”. Como fica claro, Paulo Ghiraldelli, que se define como “o filósofo da cidade de São Paulo”, resolveu concorrer com o “Porta dos Fundos” e está se autonomeando “humorista”, numa tentativa desesperada de escapar da Justiça. Espero que a Faculdade de Pedagogia da Universidade Federal de Goiás e demais cursos de pedagogia do País retirem de suas respectivas bibliografias de graduação e pós-graduação os livros desse humorista confesso.

Extermínio verbal de Sheherazade

Convém citar mais dois trechos da reportagem da “Folha de S. Paulo”, pois ambos são emblemáticos da miséria moral e intelectual em que vivemos. Eis o primeiro trecho: “Mesmo negando ser o autor de todas as postagens contra Shehe­razade, Ghiraldelli lançou mão de outro argumento para se defender. Ele disse que não há lei que possa incriminá-lo por desejar o mal de alguém. ‘Vamos supor que tivesse sido eu. Primeiro que não tem o nome dela. E ainda que ela vista a carapuça, nada me impede legalmente de desejar mal a uma pessoa. Jogar praga não é crime’, defendeu-se.” Eis o segundo trecho: “A âncora [Rachel Sheherazade] é conhecida por seus editoriais controversos e de teor conservador à frente da bancada do SBT. Ela já criticou o Bolsa Família, defendeu o deputado e pastor Marco Feliciano (PSC-SP) e recentemente fez uma declaração sobre o esquecimento de Jesus no Natal”.
Ghiraldelli não só precisa conhecer melhor as leis do País como também deveria aplicar na prática seus possíveis conhecimentos de antropologia e sociologia. Ele sabe que cada indivíduo exerce, em diferentes espaços e tempos, os mais variados papéis sociais. Em sua vida privada, Paulo Ghiraldelli Jr. provavelmente é o eterno “Paulinho” de seus pais, o “benzinho” ou “amorzinho”, sei lá, de sua esposa, o “Paulo” dos amigos, o “seu” Paulo da vizinhança, etc. Mas, na universidade, na imprensa e na internet, ele é o professor e filósofo Paulo Ghiraldelli Jr., que se orgulha de ter cerca de 40 anos de profissão e mais de 30 livros publicados, alguns deles adotados em universidades de todo o País. E “jogar praga”, obviamente, não faz parte do papel social de um filósofo e professor, do qual se espera um comportamento racional, condizente com a ciência de seu tempo, na qual não há espaço para as superstições populares. Figuras públicas precisam entender que redes sociais não são as velhas cercas que separam quintais e serviam para as vizinhas fofocarem. Logo, o professor universitário não “jogou praga” na jornalista do SBT – ele incitou a prática de crime contra ela, incorrendo no artigo 286 do Código Penal, tornando-se passível de pena de detenção de três a seis meses de prisão ou multa.
E não é a primeira vez que ele age assim. Desde que Rachel Shehera­zade despontou na televisão brasileira com suas contundentes – e elegantes – críticas ao pensamento de esquerda, Paulo Ghiraldelli passou a atacá-la sistematicamente no Facebook e no Twitter. Ou todas aquelas postagens atacando a jornalista foram obra de invasores? Ghiraldelli precisa tomar cuidado com o uso indiscriminado que tem feito dessa desculpa esfarrapada ou corre o risco de ser processado pelo Facebook e o Twitter, pois não é possível que essas redes sociais sejam assim tão inseguras a ponto de colocarem em maus lençóis um professor universitário que navega na internet há anos e sabe como se proteger minimamente. Entre diversas postagens contra Sheherazade que já apareceram nos perfis de Ghiral­delli convém destacar a que data de 28 de março de 2013, garimpada por Felipe Moura Brasil, blogueiro de “Veja”: “Evanjegue não lava a xana! Então... Rachel Cheira­zedo”. Esses dizeres foram estampados sobre uma foto do rosto da apresentadora, seguida por outras postagem que lhe serve de legenda: “Essa é a Rachel, o braço de Feliciano na TV. Ela incita o racismo, a xenofobia e a crueldade com animais”.
Agora, convém reler o trecho da reportagem da “Folha de S. Paulo” em que Rachel Sheherazade é descrita como a âncora que “é conhecida por seus editoriais controversos e de teor conservador”. Marilena Chauí chama de “desgraça” a classe média que lhe paga o salário, mas nunca foi classificada como “filósofa controversa”, mesmo sendo mais devota do PT do que da própria filosofia. Já Rachel Sheherazade é tida como “controversa” por defender a liberdade de expressão de um deputado democraticamente eleito, criticar um mero programa governamental como o Bolsa-Família e até pelo fato de dizer que Jesus está sendo esquecido no Natal – um fato que pode ser constatado por qualquer ateu. Ou é possível negar que o espírito religioso dessa festa há muito cedeu lugar para o seu caráter comercial? Se uma âncora de TV diz isso, ela está dizendo algo de “controverso”? Controverso é o “kit gay” ser distribuído para crianças nas escolas e não o pensamento de quem condena essa prática imoral, como faz Rachel Sheherazade, expressando o pensamento da esmagadora maioria da população brasileira, ainda não contaminada pelo vírus da imoralidade acadêmica.

Universidade em ritmo de barbárie

Os ataques do filósofo Paulo Ghiraldelli Jr. à jornalista Rachel Sheherazade não são um caso isolado – eles são um sintoma da barbárie que tomou conta das universidades brasileiras, num sentido diverso daquele que o filósofo José Arthur Giannotti emprestava ao tema quando o tratou num livro com esse título publicado em 1986. Paulo Ghiraldelli não é um desconhecido professor como fingiu ser na reportagem da “Folha de S. Paulo”. Ele é o principal discípulo brasileiro do filósofo pragmatista norte-americano Richard Rorty (1931-2007), que tem considerável influência nas universidades brasileiras, com cerca de 30 dissertações e teses defendidas sobre sua obra e vários livros traduzidos e publicados em português. Além de ser um dos responsáveis pela divulgação do filósofo norte-americano no Brasil, Paulo Ghiraldelli Jr., juntamente com Michael Peters, organizou o livro “Richard Rorty: Education, Philosophy, and Politics” (“Richard Rorty: Educação, Filosofia e Política”), publicado nos Estados Unidos em 2001.
Paulo Ghiraldelli Jr., segundo informa em seu currículo Lattes, é “filósofo e escritor”. Tem doutorado em filosofia pela USP e doutorado em filosofia da educação pela PUC-SP. Tem mestrado em filosofia pela USP e mestrado em filosofia e história da educação pela PUC-SP. Fez sua livre-docência na Unesp e o pós-doutorado na Uerj, com a tese “Corpo: Filosofia e Educação”. Em seu currículo, ele informa ainda que “foi pesquisador nos Estados Unidos e na Nova Zelândia; é editor internacional e participante de publicações relevantes no Brasil e no exterior; possui mais de 40 livros em filosofia e educação; trabalha como escritor e tem presença constante na mídia imprensa, falada e televisiva” – o que depõe contra sua afirmação à “Folha de S. Paulo” de que não passa de um “simples professor de filosofia”, um “coitado”, “desconhecido do mundo”. Também Dirige o Centro de Estudos em Filosofia Americana (Cefa) é é professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
Mas engana-se quem pensa que Rachel Sheherazade foi escolhida como alvo de Paulo Ghiraldelli por ele ser misógino. Em um ponto ele tem razão: sua carreira intelectual, ao menos retoricamente, se alinha com o feminismo, as minorias, a liberdade de expressão. Ocorre que, mesmo se apresentando como alguém que não é de “esquerda” nem de “direita” e, sim, uma espécie de libertário, Paulo Ghiraldelli Jr. é como a filósofa Marilena Chauí, que acredita que só existe ética de esquerda. Por isso, ele não perdoa Rachel Sheherazade, que ousa discordar do pensamento hegemônico de esquerda, sobretudo num veículo de grande impacto, como a televisão. A âncora do SBT não é exatamente uma porta-voz da direita, como afirma Ghiraldelli. Ela apenas exprime o bom senso da maioria da população, que, mesmo de forma inconsciente, não aceita o totalitarismo de esquerda que quer destruir todos os valores morais da sociedade. Por isso, a esquerda quer eliminar Rachel Sheherazade do debate público. É a liberdade de expressão sendo acossada, mais uma vez, pela esmagadora capacidade de pressão da esquerda.

Fonte: SILVA, José Maria e. Rachel Sheherazade: a mulher que aterroriza a esquerda. Disponível em: <http://networkedblogs.com/SDVPz>. Acesso em: 8 jan. 2013. Jornal Opção. Edição 2009,  de 5 a 11 de janeiro de 2014.  Análise.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Considerações sobre o crescimento dos evangélicos no Brasil

Por Luciano Borges de Santana

Com a divulgação do dados, projeções e estimativas que apontam o crescimento dos evangélicos no Brasil ao longo das últimas décadas, especialistas e religiosos vem discutindo as razões desse crescimento, o cotidiano daqueles que professam a fé e que implicações esse crescimento teria sobre a mentalidade social, as instituições políticas e o próprio exercício da cidadania pelo segmento evangélico. Ainda poderia se questionar se esse crescimento seria o resultado da apresentação a sociedade de um evangelho comprometido com os ensinamentos bíblicos, ou a acomodação das exigências bíblicas ao gosto individual de uma sociedade que cultiva o "ter" e não o "ser", o hedonismo e o efêmero como valores absolutos. Nessa discussão também pode se refletir sobre que tipo de igreja existirá no futuro a partir do comportamento e do 'modus vivendi" dos evangélicos contemporâneos.

Número de brasileiros em cada religião/Censo 2010
Religião
População
Católica apostólica romana
123.280.172
Evangélicas
42.275.440
Espírita
3.848.876
Umbanda, candomblé e religiões afrobrasileiras
588.797
Outras religiões
5.185.065
Sem religião
15.335.510
Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE)

 

Fonte: Número de evangélicos aumenta 61% em 10 anos, aponta IBGE. Disponível em: <http://g1.globo.com/brasil/noticia/2012/06/numero-de-evangelicos-aumenta-61-em-10-anos-aponta-ibge.html>. Acesso em: 05 jul. 2013.

 

Brasileiros, por sexo, em cada religião/Censo 2010
Religião
Homens
Mulheres
Católica apostólica romana
61.180.316
62.099.856
Evangélicas
18.782.831
23.492.609
Espírita
1.581.701
2.267.176
Umbanda, candomblé e religiões afrobrasileiras
269.488
319.310
Outras religiões
2.364.696
1.122.524
Sem religião
9.082.507
6.253.004
Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE)
Fonte: Brasileiros, por sexo, em cada religião/Censo 2010. Disponível em: <http://g1.globo.com/brasil/noticia/2012/06/numero-de-evangelicos-aumenta-61-em-10-anos-aponta-ibge.html>. Acesso em: 05 jul. 2013.

Gráfico comparativo de religiões entre os anos 1940 e 2010. Disponível em: <http://noticias.gospelmais.com.br/ibge-populacao-evangelica-cresceu-61-38288.html>. Acesso em: 05 jul. 2013.

Status atual das religiões no Brasil. Disponível em: <http://noticias.gospelmais.com.br/ibge-populacao-evangelica-cresceu-61-38288.html>. Acesso em: 05 jul. 2013.

Quando analisamos os primeiros 13 capítulos do livro de Atos do Apóstolos é possível perceber que entre a ascensão de Jesus Cristo e a primeira viagem missionária, os discípulos experimentaram um vertiginoso crescimento no número de seguidores. Algumas referências citadas ao longo do livro apresentam indícios contínuos desse crescimento. Comecemos pelo início. Em At. 1.12-14 lemos que: Então, voltaram para Jerusalém, do monte chamado Olival, que dista daquela cidade tanto como a jornada de um sábado. Quando ali entraram, subiram para o cenáculo onde se reuniam Pedro, João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas, filho de Tiago. Todos estes perseveravam unânimes em oração, com as mulheres, com Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele. Pela descrição do texto bíblico é possível observar que poucas pessoas seguiam o Mestre, sendo razoável constatar que muitos que seguiram a Jesus anteriormente, naquele momento possuíssem alguma forma de medo, devido aos incidentes dos dias anteriores, entre a prisão e a ascensão do Senhor. Entretanto, com a primeira pregação apostólica pública após a morte de Jesus, houve uma conversão em massa e At. 2.41 afirma que: Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas. A igreja continuou a crescer. Em At. 2.47 lemos: Louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos. Mais adiante reconhece-se que uma multidão de pessoas seguia a Jesus. At. 4.32: Da multidão dos que creram era um o coração e a alma. Ninguém considerava exclusivamente sua nem uma das coisas que possuía; tudo, porém, lhes era comum. Até mesmo muitos sacerdotes passaram a obedecer a fé. At. 6.7: Crescia a palavra de Deus, e, em Jerusalém, se multiplicava o número dos discípulos; também muitíssimos sacerdotes obedeciam à fé. E nos capítulos seguintes, o evangelho espalhou-se pelas cidades vizinhas a Jerusalém, pela Judéia e por Samaria.
O crescimento da igreja, a vida comunitária e o exercício da fé em um ambiente hostil, produziram conflitos internos e problemas externos que demandaram soluções inteligentes e firmeza com relação às convicções religiosas. Aqueles cristãos não temiam o "politicamente correto". Quando solicitados a manterem suas crenças na esfera do espaço privado e não pregarem o evangelho de Jesus Cristo, a resposta foi taxativa. At. 4.15-20: E, mandando-os sair do Sinédrio, consultavam entre si, dizendo: Que faremos com estes homens? Pois, na verdade, é manifesto a todos os habitantes de Jerusalém que um sinal notório foi feito por eles, e não o podemos negar; mas, para que não haja maior divulgação entre o povo, ameacemo-los para não mais falarem neste nome a quem quer que seja. Chamando-os, ordenaram-lhes que absolutamente não falassem, nem ensinassem em o nome de Jesus. Mas Pedro e João lhes responderam: Julgai se é justo diante de Deus ouvir-vos antes a vós outros do que a Deus; pois nós não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos. Para aqueles cristãos perder bens, rendas, títulos, posses, riquezas ou a própria vida e serem ridicularizados ou hostilizados pela sociedade era o que menos importava. Será que a igreja evangélica brasileira em crescimento estaria disposta a isso também?
Mais adiante rapidamente a igreja se deparou com a hipocrisia religiosa e o exercício superficial da fé. O episódio se encontra em Atos 5.1-11 e narra o desfecho trágico de Ananias e Safira, que se passando por piedosos, deram a entender que repassavam à igreja o valor total de uma venda, quando na verdade retiveram parte dela. Deus que  a tudo conhece, revelou as intenções do casal ao apóstolo Pedro, que prontamente profetizou o juízo divino: ambos morreram súbita e publicamente, caindo o temor sobre todos. At. 5.21: E sobreveio grande temor a toda a igreja e a todos quantos ouviram a notícia destes acontecimentos. Os apóstolos não se intimidavam diante de "dízimos e ofertas" ou influência social, política e econômica. Se o pecado tinha que ser denunciado isso era feito com rigor. Será que a igreja evangélica brasileira em crescimento estaria disposta a isso também?
Como a igreja se expandia em uma sociedade hostil, não tardou para ocorrer as primeiras perseguições religiosas. Optei pelo termo "perseguição" e não "intolerância" porque o primeiro me parece ser mais amplo e envolve a articulação político-estatal associada com a religião e demais estruturas de poder (At. 4.1-3). A perseguição se aprofunda após o martírio de Estevão (At. 7.59) e aprofunda-se com Saulo (At. 8.1,3). Todavia, a dispersão provocada pelas perseguições, longe de destruir a fé dos cristãos, produziu muito mais crescimento. At. 4.4-8: Entrementes, os que foram dispersos iam por toda parte pregando a palavra. Filipe, descendo à cidade de Samaria, anunciava-lhes a Cristo. As multidões atendiam, unânimes, às coisas que Filipe dizia, ouvindo-as e vendo os sinais que ele operava. Pois os espíritos imundos de muitos possessos saíam gritando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos foram curados. E houve grande alegria naquela cidade. Será que a igreja evangélica brasileira em crescimento estaria disposta a suportar qualquer forma de perseguição, sem abandonar os princípios bíblicos, utilizando as vicissitudes da vida, também como estímulo para a pregação do evangelho?
Como a igreja é formada espiritualmente pelos convertidos de todas as etnias, grupos e classes sociais, no princípio da estruturação do cristianismo não tardou para que essas tensões aparecessem. Em At. 6.1-7, além da instituição dos primeiros diáconos é explicado também o motivo que deflagrou a criação desse ofício eclesiástico. At. 6.1: Ora, naqueles dias, multiplicando-se o número dos discípulos, houve murmuração dos helenistas contra os hebreus, porque as viúvas deles estavam sendo esquecidas na distribuição diária. Entretanto, longe de abandonar a pregação da Palavra de Deus ou substituí-la por um "evangelho social" ou de "causas sociais", os apóstolos reconheceram a importância de se ajudar os menos favorecidos, constituíram os diáconos sobre este ministério e continuaram normalmente a exposição das verdades cristãs. At. 6.2-6: Então, os doze convocaram a comunidade dos discípulos e disseram: Não é razoável que nós abandonemos a palavra de Deus para servir às mesas. Mas, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarregaremos deste serviço; e, quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra. O parecer agradou a toda a comunidade; e elegeram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia. Apresentaram-nos perante os apóstolos, e estes, orando, lhes impuseram as mãos. Será que a igreja evangélica brasileira estaria disposta a não confundir a pregação do evangelho com ativismo e colocar a supremacia da Palavra de Deus acima de qualquer problema social?
Outros problemas poderiam ser ainda apresentados, como os conflitos gerados pela conversão de Cornélio e a consequente entrada dos gentios no corpo espiritual de Cristo (At. 10-11) e a fome que atingiu as igrejas na Judéia, socorridas em grande parte com o auxílio de outras igrejas (At. 11.27-30). As soluções que os cristãos encontraram para os seus problemas nasciam na motivação em se fazer cumprir o ide de Jesus Cristo, com relação a pregação do evangelho a toda criatura (Mc. 16.15). O evangelho implica uma forma de salvação exclusivamente através de Cristo (Jo. 14.16; At. 4.12), uma vida de renúncia mediante a aceitação dos ensinos de Jesus (Mt. 11.28-30) e a expectativa de que o mesmo Cristo morto e ressuscitado, voltará um dia para galardoar aqueles que o amam, conforme At. 1.9-11: Ditas estas palavras, foi Jesus elevado às alturas, à vista deles, e uma nuvem o encobriu dos seus olhos. E, estando eles com os olhos fitos no céu, enquanto Jesus subia, eis que dois varões vestidos de branco se puseram ao lado deles e lhes disseram: Varões galileus, por que estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir. Veja também Fp. 3.20-21: Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas. Será que a igreja evangélica brasileira estaria disposta a defender esses mesmos princípios, sem corromper o evangelho doutrinariamente e transformá-lo em ativismo social ou fonte de lucro para lobos vestidos como ovelhas? É muito importante pensar sobre isso, pois dependendo de como a igreja atual responder as perguntas que formulei ao longo do artigo, se estruturará a igreja que veremos no futuro.