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sábado, 22 de março de 2014

Elitismo da missão integral

"A religião é o suspiro da criança acabrunhada, o coração de um mundo sem coração, assim como também o espírito de uma época sem espírito. Ela é o ópio do povo." (Karl Marx)

"A abolição  da religião como a felicidade ilusória das pessoas é a exigência para a verdadeira felicidade delas." (Karl Marx)

"A crítica da religião desilude o homem, fazendo com que ele pense, aja e molde sua realidade como um homem que descartou suas ilusões e recuperou seu juízo, para que ele então se mova em volta dele mesmo como seu próprio e verdadeiro Sol. A religião é apenas o Sol ilusório que gira em torno do homem contanto que o homem não gire sobre si mesmo." (Karl Marx)

"Precisamos odiar. O ódio é a base do comunismo. As crianças devem ser ensinadas a odiar seus pais se eles não são comunistas." (Vladimir Lenin)

"As bases filosóficas do marxismo, como Marx e Engels repetidamente declararam, é o materialismo dialético, que remonta totalmente as tradições históricas do materialismo do século dezoito na França e de Feuerbach (primeira metade do século XIX) na Alemanha - um materialismo que é absolutamente ateísta e positivamente hostil a todas as religiões. [...] A religião é o ópio do povo - essa máxima de Marx é a pedra angular de toda perspectiva marxista sobre a religião." (Vladimir Lenin)

"Marxismo é materialismo. Como tal, é implacavelmente hostil à religião como era o materialismo dos enciclopedistas do século XVIII ou o materialismo de Feuerbach. Não há dúvidas quanto a isso. Mas materialismo dialético de Marx e Engels vai além dos enciclopedistas e de Feuerbach, pois aplica a filosofia materialista ao domínio da história, ao domínio das ciências sociais. Nós devemos combater a religião - esse é o ABC de todo materialismo, e consequentemente do marxismo. Mas o marxismo não é um materialismo que parou no ABC. O marxismo vai além. Ele diz: Nós devemos saber como combater a religião, e em ordem para fazer isso nós devemos explicar a fonte da fé e da religião entre as massas de um modo materialista. O combate à religião não pode limitar-se a pregação ideológica abstrata, e não deve ser reduzido a tal pregação. Ele deve ser vinculado com a prática concreta do movimento de classe, que visa eliminar as raízes sociais da religião." (Vladimir Lenin)

"O mundo civilizado tem sido saturado com cristianismo por 2000 anos, e um regime fundado em crenças e valores judaico-cristãos não pode ser derrubado até que as raízes sejam cortadas." (Antonio Gramsci)

   Se as citações acima deixam claro o que pensa a esquerda e o marxismo sobre a religião, é difícil entender como alguns evangélicos entraram de "mala e cuia" na Teologia da Missão Integral. Esse artigo de Fabio Blanco é uma das maiores denúncias contra um novo e ameaçador câncer que procura sorrateiramente entrar no cotidiano da igreja de Cristo.

Por Fabio Blanco

Muitas vezes, o discurso de um grupo pode ser caracterizado, exatamente, pelo contrário de suas próprias atitudes. Enquanto berra aos quatro cantos que faz, acredita e defende algo, na prática age de maneira a negar, peremptoriamente, aquilo mesmo que apresentou como sendo sua bandeira. Isso é o que ocorre com a chamada Teologia da Missão Integral. Ela, que surgiu de um movimento que dizia ter como seus protegidos os excluídos, que lutava pela justiça social e que tinha uma preferência pelos pobres, não passa de uma ideologia, e como toda ideologia, mais fala do que faz.
Basta ver como os líderes da TMI ficam incomodados com a forma de atuar das igrejas pentecostais, estas, em sua grande maioria, inseridas nos bairros mais pobres das grandes cidades. Eles se incomodam com a ignorância teológica, com a falta de ordem, com as manifestações esteticamente feias, com a espiritualidade desvairada e com a total ausência de qualquer ideologia das “portinhas” que se abrem aos montes e que se autodenominam igrejas, ministérios, comunidades. Na verdade, os missionários da Missão Integral não suportam a pobreza da igreja brasileira, seu chão sujo e sua gritaria sem modos.
Se o pessoal da TMI diz amar os pobres, deveria começar amando os pobres domésticos da fé. Mas não! São capazes de fazer juras de amor a criminosos, a invasores de terras, a gayzistas declarados, mas não conseguem demonstrar um mínimo de misericórdia pela igreja pobre que, bem ou mal, vai se virando em meio à população mais carente. Só porque estas igrejas não têm ouvidos para seu discurso, pois sequer o entende e, com isso, acabam sendo mais conservadoras do que eles suportariam que fossem, não apenas as desprezam, mas criticam-nas impiedosamente. O que parece é que no mundo da ideologia evangélica esquerdista há pobres que são mais merecedores de compaixão do que outros.
Mas isso não acontece por acaso. Não se deve ignorar que todos os apóstolos da Missão Integral são burgueses. Nenhum desses pensadores veio do meio do povão. Nenhum deles é pobre, nenhum excluído. São todos homens abastados, com boa instrução e bons rendimentos, que escrevem de seus gabinetes climatizados, a partir de suas igrejas confortáveis. Por isso, o público que eles atingem é semelhante a eles: uma classe média evangélica, cansada da feiura da igreja brasileira. As pregações da TMI encontram receptividade em uma multidão de evangélicos que querem fugir do sufocamento promovido por uma igreja espiritual demais, preocupada demais com a santidade. O que eles querem é viver uma religiosidade light, sem sujar demais as mãos, principalmente com endemoninhados babões vomitando em cima deles.
Há até algumas obras assistenciais desses grupos, pois o discurso ficaria completamente no vazio se não as tivesse. Porém, observem como são quase todas obras oficiais, como de ONG’s, sustentadas, muitas vezes, com dinheiro público, com parcerias com o Estado e que existem mais para propaganda, mais para serem vistas pelos de fora. Os assistidos por eles são, invariavelmente, pobres distantes, que podem ser atendidos hoje, mas que permitem que o assistente volte para casa para limpar suas mãos em álcool gel. Quem fica com o trabalho sujo são os pastores de bairro, em sua grande maioria de igrejas pentecostais e neo-pentecostais, com sua teologia torta, com seu português errado e com suas loucuras espirituais, mas que estão libertando as pessoas das drogas, retirando jovens da vida criminosa, dando algum alento e esperança para o cotidiano selvagem da vida pobre nos rincões brasileiros.
Ninguém fez mais para a salvação de pessoas condenadas ao inferno da vida miserável do que as pequenas igrejas de bairro, onde não há espaço para ideologia, onde Karl Marx deve ser, no máximo, o nome de algum jogador gringo de futebol. Por isso, quando um representante da Teologia da Missão Integral escreve, direto de seu laptop de última geração, alguma coisa relativa a defesa dos pobres, isso me soa como absurdamente cínico.
Na verdade, a Teologia da Missão Integral é elitista. Seu cessacionismo, sua aversão às manifestações pentecostais e sua retórica empolada apenas colocam-na cada vez mais longe de onde estão aqueles que ela mesmo diz defender. Seus líderes dizem amar os pobres, mas jamais os vi dividindo seus bens com nenhum deles.

Fonte: BLANCO, Fabio. Elitismo da missão integral. Disponível em: <http://artigos.gospelprime.com.br/elitismo-da-missao-integral/>. Acesso em: 21 mar. 2014.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Os idosos na Bíblia

Por Luciano Borges de Santana

Nos diversos livros sagrados pertencentes às muitas confissões religiosas que existem no mundo, são comuns referências aos idosos e, sobretudo, o respeito que deve ser dado a essas pessoas. Se compararmos com os avanços conquistados nas últimas décadas, a expectativa de vida em todas as civilizações da Antiguidade era relativamente baixa, logo, as poucas pessoas que chegavam à terceira idade eram tidas como sábias, experientes e de grande prestígio social. A Bíblia, o livro sagrado para os cristãos, apresenta muitos textos onde são abordados diversos aspectos ligados a velhice, seja na forma de referências gerais, seja especificamente analisando a vida de alguma pessoa. Em Eclesiastes 12.1-7, o rei Salomão descreve os aspectos físicos e sensoriais que atingem de forma geral as pessoas quando envelhecem: Lembre-se do seu Criador enquanto você é jovem, antes que venham os dias difíceis e cheguem os anos em que você dirá: "Não tenho mais alegria de viver".Os seus olhos ficarão tão fracos que não poderão perceber a luz do Sol, da Lua e das estrelas. E as nuvens voltarão depois da chuva. Os seus braços, que sempre o defenderam, começarão a tremer, e as suas pernas, que agora são fortes, ficarão fracas; os seus dentes vão cair e você não poderá mastigar direito, e os seus olhos ficarão cansados e fracos. Você ficará surdo e não poderá ouvir o barulho da rua. Você vai acordar com o barulho dos pássaros, mas não ouvirá direito o moinho moendo e a música tocando. Você terá medo de lugares altos, até o caminhar será perigoso. Os seus cabelos ficarão brancos, e você perderá o gosto pelas coisas. Então você irá para o seu lar eterno, e os pranteadores o seguirão pelas ruas. Sim, lembre-se do seu Criador agora, enquanto você é jovem, antes que o fio de prata da vida seja cortado; antes que a taça de ouro se quebre, antes que o cântaro se quebre junto à fonte e a roda se parta junto ao poço; antes que o pó volta à terra de onde veio e o espírito volte a Deus que o deu. Apesar de Salomão apresentar os sintomas da velhice dentro de uma perspectiva muito negativa, os idosos reagem de forma diferente aos problemas da vida. Três personagens bíblicos ilustram muito bem essa situação: Barzilai, Calebe e Moisés. Vamos começar pelo primeiro.
Devido a sedição de seu filho Absalão, o rei Davi precisou fugir de Jerusalém, abandonando a capital do Reino de Israel. Na fuga, o rei contou com diversos colaboradores, entre eles Barzilai que providenciou diversos mantimentos para a comitiva real. Após a derrota de Absalão, Davi retorna para Jerusalém e convida Barzilai, um idoso de oitenta anos, para viver com ele na corte. Barzilai respondeu: "Quantos serão os dias dos anos da minha vida, para que eu viva com o rei em Jerusalém?  Estou com oitenta anos, não sei mais a diferença entre o que é bom e o que é mau. O seu servo mal sente o sabor do que come e bebe. Será que eu poderia ouvir a voz dos cantores e cantoras? Eu seria simplesmente um peso para o meu rei. O seu servo já se sente honrado em poder atravessar o Jordão com o seu rei; isso me basta. Permita que o seu servo volte, a fim de morrer na minha cidade e ser sepultado ao lado dos meus pais. Mas pode levar o meu servo Quimã em meu lugar, e fazer por ele o que achar melhor" (II Sm. 19.34-49). É possível perceber que Barzilai já não possuía a lucidez e a agilidade de uma pessoa mais jovem, além de ser extremamente pessimista com relação a vida, ter dificuldades nos sentidos naturais e desenvolver um certo sentimento de inutilidade.
Muitos séculos antes de Barzilai, um outro idoso tinha uma perspectiva bem diferente da vida. Calebe havia saído do Egito com os "filhos de Israel" e participado de uma longa jornada pela península do Sinai em direção à terra de Canaã. Após a conquista da terra, quando se iniciava a distribuição dos territórios entre as tribos, Calebe foi conversar com Josué, o líder da nação de Israel naquele momento. Veja como o episódio ocorreu. Um grupo da tribo de Judá, chefiada por Calebe, filho de Jefoné, da família de Quenaz, apresentou-se a Josué, em Gilgal e disse: "Lembra o que o Senhor disse a Moisés, homem de Deus, quando estávamos em Cades-Barneia, a respeito de mim e de você? Eu estava com quarenta anos de idade quando fui enviado por Moisés, servo de Deus, de Cades-Barneia a Canaã, para espionar a terra; e fiz um relatório digno de confiança. Mas os meus irmãos, que foram comigo, fizeram o povo ficar desanimado. Eu, porém, perseverei em seguir ao Senhor, o meu Deus. Então Moisés me disse: 'A parte da terra de Canaã por onde o seu pé pisou pertencerá a você e a seus filhos para sempre'. "Agora, como vê, o Senhor me guardou todos esses quarenta e cinco anos com vida, desde o tempo em que o povo ficou indo de lá para cá no deserto. Estou agora com oitenta e cinco anos de idade. Sinto-me forte agora como quando Moisés me enviou naquela missão. Posso sair para combater e voltar depois do combate, como naquela época! (Js. 14.6-11). O discurso de Calebe é vibrante e bastante positivo. Ele ainda possuía lucidez, agilidade e uma boa memória, além de um otimismo diferenciado e uma imensa capacidade para superar obstáculos.
Por sua vez, Moisés ainda hoje é considerado o maior profeta existente na história de Israel. Sua educação no Egito e a fuga desse país para a terra de Midiam são histórias bastante conhecidas. Moisés foi vocacionado por Deus para libertar os filhos de Israel do cativeiro com a idade de 80 anos. "Agora vá", continuou Deus, "reúna os líderes de Israel e diga-lhes: 'O Senhor, o Deus dos seus pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó, apareceu a mim. Ele me disse: 'Acompanho o meu povo e vejo o que fizeram com ele no Egito. (Ex. 3.16). Moisés e Arão fizeram como o Senhor lhes tinha ordenado. Moisés tinha oitenta nos de idade e Arão oitenta e três anos quando falaram com o faraó. (Ex. 7.6-7). Através de Moisés foram lançadas as pragas sobre o Egito, a páscoa foi instituída, os israelitas atravessaram o Mar Vermelho e construídas as bases da Antiga Aliança. Na sua velhice Moisés demonstrou profunda comunhão com Deus. O Senhor falava com Moisés face a face, como quem fala com um amigo. (Ex. 33.11; ver também Ex. 34.29-35). Moisés foi humilde para aceitar os conselhos tanto dos mais velhos, quanto dos mais jovens. Moisés aceitou o conselho do sogro e seguiu as sugestões dele (Ex. 18.24; ver também Nn. 27.1,2-7). O grande profeta também se revelou uma pessoa desinteressada e sem a ambição de grande projetos pessoais (Ex. 32.9-11). O grande erro do profeta foi ter desobedecido a um ordem divina, em um contexto de estresse e desequilíbrio emocional, o que acabou custando a sua entrada na terra prometida (Nm. 20.1-13). Após sua morte, Moisés teve seu trabalho reconhecido pelo povo e o texto bíblico afirma que Moisés tinha cento e vinte anos de idade quando morreu. Ele ainda enxergava perfeitamente, e o seu vigor não tinha se enfraquecido (Dt. 34.7). Os exemplos de Barzilai, Calebe e Moisés revelam que as pessoas são diferentes e encaram os problemas de múltiplas formas.
No Israel antigo os idosos eram bastante respeitados. Levantem-se na presença de pessoas idosas, e deem a devida honra aos anciãos; temam o seu Deus. Eu sou o Senhor (Lv. 19.32). Os cabelos brancos são uma coroa de honra para quem anda no caminho da justiça (Pv. 16.31). Para os jovens, a glória é ser forte e bonito; a glória dos velhos está na sua experiência de vida (Pv. 20.29). Mesmo na sua velhice, eu serei o seu Deus; cuidarei de vocês quando tiverem cabelos brancos. Eu os criei e os carregarei; eu serei o seu Salvador para sempre (Is. 46.4). Devido a larga experiência acumulada na vida, os idosos eram geralmente consultados na tomada de decisões importantes e quando seus conselhos eram desprezados o resultado poderia ser uma grande tragédia. Veja essa situação que ocorreu com o rei Roboão, assim que ele começou a reinar. "Seu pai [o rei Salomão] foi um senhor duro que nos impôs trabalhos  pesados.  Prometa  que  vai  nos  tratar  melhor  do  que  ele  nos  tratou,  e  nós lhe serviremos". "Deem-me três dias para pensar com cuidado a esse respeito", respondeu Roboão, "depois voltem para saber minha resposta". Então o povo foi embora. O rei Roboão discutiu o assunto com os homens mais velhos, que tinham dado conselhos a seu pai Salomão. "O que vocês me aconselham responder ao povo?", perguntou a eles. E eles responderam: "Se você hoje der ao povo uma resposta agradável e concordar em ser bom para eles e servir bem a essa gente, eles sempre serão os seus servos". Mas Roboão rejeitou o conselho dos mais velhos e mandou chamar os jovens com os quais ele havia crescido, e que eram seus ajudantes. "O que vocês acham que devo fazer?", perguntou a eles. "Como devemos responder a este povo que me diz: 'Torne mais leves as cargas que o seu pai colocou sobre nós?" E os jovens que tinha crescido com ele responderam: "Diga ao povo que disse: 'O seu pai foi um senhor duro e nos impôs trabalhos pesados. Trate-nos melhor": Se vocês acham que meu pai foi duro com vocês, eu vou ser mais duro ainda! Minha menor exigência será maior do que a maior exigência do meu pai. Sim, o meu pai foi severo, mas eu serei mais severo ainda! Meu pai usou chicotes para castigar vocês, maus eu vou usar escorpiões!" (I Rs. 12.4-11). O resultado de tudo isso foi a divisão das tribos e o surgimento de dois reinos independentes: Israel e Judá.
Os idosos são pessoas que merecem o nosso amor, afeto, compaixão, compreensão e sobretudo, carinho. Nunca esqueça de um coisa: um dia você será um idoso também. Por isso, abrace um idoso hoje.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Considerações sobre o crescimento dos evangélicos no Brasil

Por Luciano Borges de Santana

Com a divulgação do dados, projeções e estimativas que apontam o crescimento dos evangélicos no Brasil ao longo das últimas décadas, especialistas e religiosos vem discutindo as razões desse crescimento, o cotidiano daqueles que professam a fé e que implicações esse crescimento teria sobre a mentalidade social, as instituições políticas e o próprio exercício da cidadania pelo segmento evangélico. Ainda poderia se questionar se esse crescimento seria o resultado da apresentação a sociedade de um evangelho comprometido com os ensinamentos bíblicos, ou a acomodação das exigências bíblicas ao gosto individual de uma sociedade que cultiva o "ter" e não o "ser", o hedonismo e o efêmero como valores absolutos. Nessa discussão também pode se refletir sobre que tipo de igreja existirá no futuro a partir do comportamento e do 'modus vivendi" dos evangélicos contemporâneos.

Número de brasileiros em cada religião/Censo 2010
Religião
População
Católica apostólica romana
123.280.172
Evangélicas
42.275.440
Espírita
3.848.876
Umbanda, candomblé e religiões afrobrasileiras
588.797
Outras religiões
5.185.065
Sem religião
15.335.510
Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE)

 

Fonte: Número de evangélicos aumenta 61% em 10 anos, aponta IBGE. Disponível em: <http://g1.globo.com/brasil/noticia/2012/06/numero-de-evangelicos-aumenta-61-em-10-anos-aponta-ibge.html>. Acesso em: 05 jul. 2013.

 

Brasileiros, por sexo, em cada religião/Censo 2010
Religião
Homens
Mulheres
Católica apostólica romana
61.180.316
62.099.856
Evangélicas
18.782.831
23.492.609
Espírita
1.581.701
2.267.176
Umbanda, candomblé e religiões afrobrasileiras
269.488
319.310
Outras religiões
2.364.696
1.122.524
Sem religião
9.082.507
6.253.004
Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE)
Fonte: Brasileiros, por sexo, em cada religião/Censo 2010. Disponível em: <http://g1.globo.com/brasil/noticia/2012/06/numero-de-evangelicos-aumenta-61-em-10-anos-aponta-ibge.html>. Acesso em: 05 jul. 2013.

Gráfico comparativo de religiões entre os anos 1940 e 2010. Disponível em: <http://noticias.gospelmais.com.br/ibge-populacao-evangelica-cresceu-61-38288.html>. Acesso em: 05 jul. 2013.

Status atual das religiões no Brasil. Disponível em: <http://noticias.gospelmais.com.br/ibge-populacao-evangelica-cresceu-61-38288.html>. Acesso em: 05 jul. 2013.

Quando analisamos os primeiros 13 capítulos do livro de Atos do Apóstolos é possível perceber que entre a ascensão de Jesus Cristo e a primeira viagem missionária, os discípulos experimentaram um vertiginoso crescimento no número de seguidores. Algumas referências citadas ao longo do livro apresentam indícios contínuos desse crescimento. Comecemos pelo início. Em At. 1.12-14 lemos que: Então, voltaram para Jerusalém, do monte chamado Olival, que dista daquela cidade tanto como a jornada de um sábado. Quando ali entraram, subiram para o cenáculo onde se reuniam Pedro, João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas, filho de Tiago. Todos estes perseveravam unânimes em oração, com as mulheres, com Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele. Pela descrição do texto bíblico é possível observar que poucas pessoas seguiam o Mestre, sendo razoável constatar que muitos que seguiram a Jesus anteriormente, naquele momento possuíssem alguma forma de medo, devido aos incidentes dos dias anteriores, entre a prisão e a ascensão do Senhor. Entretanto, com a primeira pregação apostólica pública após a morte de Jesus, houve uma conversão em massa e At. 2.41 afirma que: Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas. A igreja continuou a crescer. Em At. 2.47 lemos: Louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos. Mais adiante reconhece-se que uma multidão de pessoas seguia a Jesus. At. 4.32: Da multidão dos que creram era um o coração e a alma. Ninguém considerava exclusivamente sua nem uma das coisas que possuía; tudo, porém, lhes era comum. Até mesmo muitos sacerdotes passaram a obedecer a fé. At. 6.7: Crescia a palavra de Deus, e, em Jerusalém, se multiplicava o número dos discípulos; também muitíssimos sacerdotes obedeciam à fé. E nos capítulos seguintes, o evangelho espalhou-se pelas cidades vizinhas a Jerusalém, pela Judéia e por Samaria.
O crescimento da igreja, a vida comunitária e o exercício da fé em um ambiente hostil, produziram conflitos internos e problemas externos que demandaram soluções inteligentes e firmeza com relação às convicções religiosas. Aqueles cristãos não temiam o "politicamente correto". Quando solicitados a manterem suas crenças na esfera do espaço privado e não pregarem o evangelho de Jesus Cristo, a resposta foi taxativa. At. 4.15-20: E, mandando-os sair do Sinédrio, consultavam entre si, dizendo: Que faremos com estes homens? Pois, na verdade, é manifesto a todos os habitantes de Jerusalém que um sinal notório foi feito por eles, e não o podemos negar; mas, para que não haja maior divulgação entre o povo, ameacemo-los para não mais falarem neste nome a quem quer que seja. Chamando-os, ordenaram-lhes que absolutamente não falassem, nem ensinassem em o nome de Jesus. Mas Pedro e João lhes responderam: Julgai se é justo diante de Deus ouvir-vos antes a vós outros do que a Deus; pois nós não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos. Para aqueles cristãos perder bens, rendas, títulos, posses, riquezas ou a própria vida e serem ridicularizados ou hostilizados pela sociedade era o que menos importava. Será que a igreja evangélica brasileira em crescimento estaria disposta a isso também?
Mais adiante rapidamente a igreja se deparou com a hipocrisia religiosa e o exercício superficial da fé. O episódio se encontra em Atos 5.1-11 e narra o desfecho trágico de Ananias e Safira, que se passando por piedosos, deram a entender que repassavam à igreja o valor total de uma venda, quando na verdade retiveram parte dela. Deus que  a tudo conhece, revelou as intenções do casal ao apóstolo Pedro, que prontamente profetizou o juízo divino: ambos morreram súbita e publicamente, caindo o temor sobre todos. At. 5.21: E sobreveio grande temor a toda a igreja e a todos quantos ouviram a notícia destes acontecimentos. Os apóstolos não se intimidavam diante de "dízimos e ofertas" ou influência social, política e econômica. Se o pecado tinha que ser denunciado isso era feito com rigor. Será que a igreja evangélica brasileira em crescimento estaria disposta a isso também?
Como a igreja se expandia em uma sociedade hostil, não tardou para ocorrer as primeiras perseguições religiosas. Optei pelo termo "perseguição" e não "intolerância" porque o primeiro me parece ser mais amplo e envolve a articulação político-estatal associada com a religião e demais estruturas de poder (At. 4.1-3). A perseguição se aprofunda após o martírio de Estevão (At. 7.59) e aprofunda-se com Saulo (At. 8.1,3). Todavia, a dispersão provocada pelas perseguições, longe de destruir a fé dos cristãos, produziu muito mais crescimento. At. 4.4-8: Entrementes, os que foram dispersos iam por toda parte pregando a palavra. Filipe, descendo à cidade de Samaria, anunciava-lhes a Cristo. As multidões atendiam, unânimes, às coisas que Filipe dizia, ouvindo-as e vendo os sinais que ele operava. Pois os espíritos imundos de muitos possessos saíam gritando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos foram curados. E houve grande alegria naquela cidade. Será que a igreja evangélica brasileira em crescimento estaria disposta a suportar qualquer forma de perseguição, sem abandonar os princípios bíblicos, utilizando as vicissitudes da vida, também como estímulo para a pregação do evangelho?
Como a igreja é formada espiritualmente pelos convertidos de todas as etnias, grupos e classes sociais, no princípio da estruturação do cristianismo não tardou para que essas tensões aparecessem. Em At. 6.1-7, além da instituição dos primeiros diáconos é explicado também o motivo que deflagrou a criação desse ofício eclesiástico. At. 6.1: Ora, naqueles dias, multiplicando-se o número dos discípulos, houve murmuração dos helenistas contra os hebreus, porque as viúvas deles estavam sendo esquecidas na distribuição diária. Entretanto, longe de abandonar a pregação da Palavra de Deus ou substituí-la por um "evangelho social" ou de "causas sociais", os apóstolos reconheceram a importância de se ajudar os menos favorecidos, constituíram os diáconos sobre este ministério e continuaram normalmente a exposição das verdades cristãs. At. 6.2-6: Então, os doze convocaram a comunidade dos discípulos e disseram: Não é razoável que nós abandonemos a palavra de Deus para servir às mesas. Mas, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarregaremos deste serviço; e, quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra. O parecer agradou a toda a comunidade; e elegeram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia. Apresentaram-nos perante os apóstolos, e estes, orando, lhes impuseram as mãos. Será que a igreja evangélica brasileira estaria disposta a não confundir a pregação do evangelho com ativismo e colocar a supremacia da Palavra de Deus acima de qualquer problema social?
Outros problemas poderiam ser ainda apresentados, como os conflitos gerados pela conversão de Cornélio e a consequente entrada dos gentios no corpo espiritual de Cristo (At. 10-11) e a fome que atingiu as igrejas na Judéia, socorridas em grande parte com o auxílio de outras igrejas (At. 11.27-30). As soluções que os cristãos encontraram para os seus problemas nasciam na motivação em se fazer cumprir o ide de Jesus Cristo, com relação a pregação do evangelho a toda criatura (Mc. 16.15). O evangelho implica uma forma de salvação exclusivamente através de Cristo (Jo. 14.16; At. 4.12), uma vida de renúncia mediante a aceitação dos ensinos de Jesus (Mt. 11.28-30) e a expectativa de que o mesmo Cristo morto e ressuscitado, voltará um dia para galardoar aqueles que o amam, conforme At. 1.9-11: Ditas estas palavras, foi Jesus elevado às alturas, à vista deles, e uma nuvem o encobriu dos seus olhos. E, estando eles com os olhos fitos no céu, enquanto Jesus subia, eis que dois varões vestidos de branco se puseram ao lado deles e lhes disseram: Varões galileus, por que estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir. Veja também Fp. 3.20-21: Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas. Será que a igreja evangélica brasileira estaria disposta a defender esses mesmos princípios, sem corromper o evangelho doutrinariamente e transformá-lo em ativismo social ou fonte de lucro para lobos vestidos como ovelhas? É muito importante pensar sobre isso, pois dependendo de como a igreja atual responder as perguntas que formulei ao longo do artigo, se estruturará a igreja que veremos no futuro.

domingo, 23 de dezembro de 2012

A era do aborto e o natal


Por Norbert Lieth

Em nossa época, em que são abortados anualmente cerca de 50 milhões de bebês e o sangue de cada um deles clama aos céus, queremos chamar a atenção para um relato que foi publicado no boletim da associação médica européia "Medicina e Ideologia". Que esse artigo toque os corações não somente de médicos, mas também de mães, pais e políticos.

O menino no Natal

A cada Natal o diretor da Clínica Obstétrica da Universidade de Heidelberg (Alemanha), o catedrático Dr. Eymer, celebrava a festa do nascimento de Jesus com todos os funcionários. No grande auditório a mesa de exames e os instrumentos estavam cobertos com lençóis brancos.
O professor sempre entrava no salão trazendo nos braços um bebê que havia nascido na clínica nas últimas horas. Suavemente ele embalava o bebê de um lado para outro e falava de maneira tão terna quanto o permitia sua voz grave e sonora:
"Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz" (Is 9.6). Jesus, na noite em que nasceu, não era em nada diferente deste bebê. Ele chorava e dormia, Ele acordava e mamava no peito de sua mãe.
Ele viu a luz do mundo, mas não como este bebê aqui, numa sala de parto com ar condicionado, iluminado por luzes potentes. Certamente foi numa estrebaria semi-escura de uma hospedaria superlotada que Jesus nasceu. Provavelmente também não havia parteira para assistir a jovem mãe. Não podemos mais saber com exatidão os detalhes do Seu nascimento, mas isso não muda o essencial. Quando mães dão à luz a seus filhos, elas não podem saber o que será feito deles mais tarde. Ninguém sabe o futuro do pequeno ser humano que embalo aqui nos meus braços. Nem Maria sabia o futuro de seu bebê. Vocês sabem, estimadas enfermeiras e colegas, que em nossa maternidade nascem centenas de crianças. Qual será o plano de Deus para elas? Elas trarão alegrias ou preocupações a seus pais?
Perguntas desse tipo certamente passaram pela mente de Maria enquanto embalava seu bebê recém-nascido. Pois ela ficara sabendo, em um momento solene, através do anjo Gabriel, que daria à luz um filho e que esse filho seria grande e até seria chamado de Filho do Deus Altíssimo. Naquela ocasião Maria havia pronunciado o seu "Fiat", o que quer dizer "assim seja", que ela estava disposta a ser uma serva obediente a Deus. Anos mais tarde seu filho Jesus também teve de dizer o seu "Fiat": "Pai, seja feita a Tua vontade!"
Mas voltemos ao Natal. Creio que Maria lembrou da hora em que o anjo lhe apareceu e que ela estava certa de que Deus tinha planejado algo muito especial para essa criança. Com certeza, porém, nessas primeiras horas após o nascimento, ela nem sequer imaginava que a vida desse menino poderia ser tão curta. Ela não imaginou que seu filho corria perigo de vida nem quando um idoso profeta lhe disse no templo: "Também uma espada traspassará a tua própria alma!" Ela deve ter pensado: Bem, todos os homens às vezes dizem coisas que os outros não entendem, por que eu deveria levar tão a sério essa profecia?
Todas essas coisas, minhas senhoras e meus senhores, nosso colega Dr. Lucas relatou em seu Evangelho, onde falou da manjedoura, dos pastores e dos anjos. Amanhã vocês vão ouvir isso nas igrejas. Certamente os pastores e pregadores sabem dizer muito mais a respeito do Natal do que um simples professor de medicina como eu.
Mas peço que atentem para isso, queridas enfermeiras e colegas: eu oro dia após dia por toda criança nascida aqui. Eu peço ao menino Jesus de Belém, que se tornou nosso Senhor e Salvador, que santifique essas crianças. Nunca esqueçam: cada pessoa que vê a luz do mundo nesta terra é uma criatura de Deus, não apenas um parto número tal em nossos registros. Cada recém-nascido é um milagre da vida, um presente, a graça em pessoa. Pois quem de nós sabe quantos homens e mulheres, que um dia se tornarão pessoas importantes, iniciaram suas vidas em nossa clínica?
Essas palavras nítidas e emocionantes de um médico a seus colegas e enfermeiras da sua clínica deixam claro: Jesus Cristo, o Filho do Deus vivo, tornou-se homem como nós. Mas como Filho de Deus Ele era sem pecado e por isso tinha condições de reconciliar os homens com Deus. Em todos os festejos do Natal nunca deveríamos perder de vista essa realidade maravilhosa, pois o doce menino de Belém e o homem coroado de espinhos na cruz são a mesma pessoa!


LIETH, Norbert. A era do aborto e o natal. Disponível em: <http://www.chamada.com.br/mensagens/aborto_e_natal.html>. Acesso em: 23 dez. 2012.

domingo, 7 de outubro de 2012

Como servir a Deus?

Por Luciano Borges de Santana

Muito se tem discutido sobre a natureza, a qualidade e os objetivos do serviço dedicado ao Deus da fé cristã. Grande parte da sociedade não se interessa pelo assunto e quando resolve atentar para ele, geralmente apresenta argumentos sem nenhum fundamento bíblico. As pessoas acreditam que Deus pode ser servido de qualquer maneira ou sem observar os preceitos estabelecidos em sua palavra. Aqueles que desejam servir a Deus, precisam primeiramente reconhecer que o homem transformado pelo poder do evangelho, pode até viver neste mundo, mas espiritualmente não faz parte dele. A conversão produz um novo homem que morreu espiritualmente para o mundo, mas que passa a viver para Deus (Gl. 2.20). Torna-se impossível servir a Deus e ao mesmo tempo amar dentro de si a filosofia, o discurso, as práticas e a moral do mundo distante do Senhor.
Alguns exemplos na Bíblia tipificam essa relação entre o cristão e a sua convivência em sociedade. Apesar de ter sofrido uma escravidão de mais de 400 anos no Egito, o povo de Israel não havia tirado o "Egito" do coração. Isso pode ser notado em algumas situações como na travessia do mar Vermelho (Ex. 12.11-12), na falta de carne no deserto de Sim (Ex. 16.3), na ausência de água em Refidim (Ex. 17.3), na adoração ao bezerro de ouro (Ex. 32.4), na murmuração geral contra o maná no deserto de Parã (Nm. 11.4-6), na rebelião provocada pelo relatório dos espias (Nm. 14.2-4) e logo após a morte de Miriã, irmã de Moisés em Cades (Nm. 20.2-5). No Antigo Testamento ainda poderíamos mencionar a mulher de Ló. Deus iria destruir a cidade, mas exigiu que a família de Ló não olhasse para trás evitando contemplar a destruição da cidade. A mulher de Ló, possivelmente possuía a cultura da cidade em seu interior e ao olhar para trás - desobedecendo a ordem divina - foi convertida numa estátua de sal (Gn. 19.26). Já no Novo Testamento o caso mais curioso é o de um ex-cooperador do apóstolo Paulo chamado Demas. De um colaborador de Paulo, abandonou a fé em troca do que poderia usufruir abraçando o "presente século" (Cl. 4.14; Fl. 1.24; II Tm. 4.10).
Todos esses exemplos deixam muito claro que é possível existir uma série de pessoas, que honestamente acreditam estar servindo a Deus, mas seus comportamentos e atitudes podem não ser aqueles que Deus aprova em sua palavra. Outrossim, nos revelam que existem diversos caminhos tomados pelo homem que passam bastante longe daquilo que o próprio Deus exige como obediência nas Escrituras.

1. O mundo debaixo da ira de Deus

Ao mesmo tempo que procura orientar o seu povo a não manter um relacionamento de cumplicidade com o mundo, Deus através de sua palavra explica os motivos para essa atitude. A palavra "mundo" aparece aproximadamente 182 vezes na Bíblia, significando a criação (Hb. 11.3), o homem ou a humanidade (Jo. 3.16) e o mundo como sistema organizado e arquitetado contra a vontade de Deus (I Jo. 2.15-17). Dentro do terceiro aspecto que a palavra mundo adquire nas Escrituras é possível observar como o sistema mundano opera na sexualidade (perversões sexuais, divórcio, adultério, prostituição, fornicação), na bioética (aborto, eutanásia), no sistema educacional (secularismo, ateísmo, evolucionismo, humanismo, darwinismo, materialismo, relativismo) e nos sistemas de comunicação (defesa de valores anticristãos, programação que explora e estimula vícios, sexualidade distorcida e violência). Outras questões poderiam ser ainda acrescentadas, mas estas por si só já revelam que Deus não se encontra presente, muito menos aprova, uma união de princípios ou práticas entre aqueles que afirmam servi-lo e o mundo cujo sistema "jaz no maligno" (I Jo. 5.19).

2. Por que devemos servir a Deus?

Porque ele é a única e verdadeira alternativa (Jo. 14.6). Deus é perfeito, em contraposição ao homem limitado; não está envolvido nos escândalos humanos; e quer o bem de todos (principalmente daqueles que já entraram em uma experiência pessoal com ele). Deus sempre pensa positivamente do potencial humano; este é quem procura as coisas mais baixas e desagradáveis ao Senhor. O Todo-Poderoso deseja que o homem viva (Jo. 10.10).
O futuro do homem não está em suas próprias mãos, mas no Senhor que conhece todas as coisas. Deus aceita os "cansados" e "oprimidos", algo que no ponto de vista espiritual ninguém quer se preocupar. Jesus simplesmente afirma: "eu vos aliviarei" (Mt. 11.28). E se existe alguém que está interessado em gente fracassada, essa pessoa é Jesus. Se ele transformou um grupo de homens que na noite de sua prisão o abandonaram, pode fazer o mesmo com todos aqueles que almejam servi-lo.
Escolha, portanto, ficar do lado de Deus.

sábado, 22 de setembro de 2012

A origem da festa de Cosme e Damião

     Por Luciano Borges de Santana

Não são raros os casos onde os evangélicos de forma geral, se recusam a participar ou comemorar festas que no calendário ocidental são relembradas por muitos brasileiros. Essa recusa provoca nas pessoa alguns questionamentos, pois se determinadas festas possuem uma suposta base de "fé cristã" por que os cristãos evangélicos também não participam delas?
Não é fácil esclarecer essas pessoas sobre a posição adotada pelos evangélicos, visto que a grande maioria delas sequer conhece a história do cristianismo e/ou como tantas festas que nunca aparecem no Novo Testamento, surgiram séculos depois e passaram a ser comemoradas pela igreja.
Esse breve estudo se propõe a analisar a origem da festa de Cosme e Damião, sua chegada ao Brasil, a incorporação da festa e dos santos pelas religiões afro-brasileiras e apresentar à sociedade uma defesa da fé evangélica e justificar a sua não-comemoração pelos evangélicos brasileiros.

1. Quem foram Cosme e Damião?

Grande parte do que hoje se sabe sobre os santos Cosme e Damião são relatos muitas vezes contraditórios, em que se torna difícil separar o que é fato e o que não passa de lendas. De acordo com alguns pesquisadores, Cosme e Damião foram dois irmãos gêmeos que nasceram na Arábia no século III d.C. (a data exata do nascimento é incerta). Filhos de pais nobres dedicaram-se a estudar medicina na Síria e logo depois passaram a praticá-la na Egéia. Foi por essa ocasião, que chegaram a ter contato com a fé cristã, vindo a se converterem tempos depois em circunstancias até hoje desconhecidas.
A conversão a fé cristã produziu em ambos os gêmeos um amor pelos pecadores e um desejo de oferecer a eles a medicina sem a cobrança pelos serviços prestados. Os irmãos ficaram conhecidos como "anárgiros", ou seja, pessoas que não são "compradas por dinheiro". Segundo alguns relatos, os gêmeos chegaram a construir um hospital onde ao mesmo tempo que atendiam os pacientes pregavam as boas novas do evangelho de Cristo. Outros relatos afirmam que para distrair as crianças que se recusavam a tomar os remédios a base de ervas amargas, os irmãos distribuíam doces como uma forma de amenizar o gosto dos medicamentos. Com o exercício da medicina e a pregação do evangelho muitas pessoas foram alcançadas pela Palavra de Deus e se convertiam a Cristo abandonando os cultos das religiões pagãs. E por não cultuarem os deuses pagãos, os gêmeos começaram a sofrer uma violenta oposição das autoridades do Império Romano, que em localidades diferentes, perseguia outros cristãos.
Há muitas versões e lendas para as mortes de Cosme e Damião. Em alguns relatos teriam sido amarrados e jogados de um despenhadeiro sob a acusação de feitiçaria; em outros, sobram tentativas de afogamento, queimaduras e apedrejamento, onde os irmãos eram salvos por anjos ou algum outro milagre. A versão mais aceita defende que os gêmeos após terríveis torturas, foram decapitados em meio a perseguição motivada pelo imperador Diocleciano em 283 ou 303, na Egéia. Seus restos mortais teriam sido levados para a cidade de Ciro, na Síria e lançados em uma igreja a eles consagrada. Parte dos restos mortais foram levados no século VI para Roma, onde outra igreja fora dedicada a eles. Outra parte dos restos mortais foram também levados para uma igreja em Munique, na Alemanha. Por volta de 530, o imperador Justiniano gravemente ferido, mandou construir em Constantinopla uma igreja dedicada a memória desses mártires.
O dia exato da morte dos irmãos Cosme e Damião é motivo de muita controvérsia e duas datas diferentes são geralmente apresentadas: 26 ou 27 de setembro. De acordo com alguns relatos, os irmãos foram decapitados no dia 26, levando um grupo de pessoas a sepultá-los no dia seguinte (27). Conta-se que na ocasião, muitos doces foram colocados no túmulo de ambos os gêmeos, como uma forma de homenageá-los. A igreja católica dessa forma reconheceria o dia da morte, mas não o dia do sepultamento. Já outro relato afirma que a igreja católica sempre comemorou a morte dos irmãos no dia 27 até 1969, quando ocorreu uma reforma no calendário romano, que deslocou a data para o dia 26, por que no dia 27 também se comemora o dia de São Vicente de Paulo. Católicos mais tradicionais e seguidores da Umbanda e do Candomblé, mantiveram a data historicamente praticada e, pelo menos no Brasil, a festa dedicada a esses santos é realizada em 27/09. Outros ainda acreditam que a tradição popular prefere o dia 27, porque foi nesse dia que o papa Félix IV inaugurou em 500, a igreja dedicada a esses irmãos em Roma.

2. Por que a igreja passou a cultuar os irmãos Cosme e Damião?

A igreja foi fundada sob o sangue da nova aliança derramado por Jesus e edificada sobre o firme fundamento dos apóstolos e dos profetas (At. 20.28; Ef. 1.7; 2.13; Cl. 1.20; Hb. 9.12; 12.24; Ef. 2.20; Ap. 21.14). Qualquer pessoa que se propuser a analisar a igreja do Novo Testamento ficará admirada ao descobrir como os cristãos corromperam a simplicidade da fé em Cristo e séculos depois evoluíram para os princípios doutrinários adotados na igreja católica romana.
Na verdade não é fácil determinar o início da entrada de heresias e falsos ensinos na história da igreja. Os apóstolos já enfrentavam esse problema e procuraram orientar os convertidos sobre o aparecimento de doutrinas antibíblicas. Logo após a morte dos apóstolos, uma geração de apologistas e líderes cristãos conduziram o rebanho em meio às adversidades políticas, religiosas, filosóficas e culturais do Império Romano. Lentamente alguns líderes cristãos começaram a adaptar a estrutura hierárquica do Império Romano e a fundir elementos da teologia bíblica com a mitologia e as crenças populares dos povos não alcançados pelo evangelho. Muitas pessoas se convertiam, mas não abandonavam totalmente suas convicções religiosas e, dentro da igreja elas acabaram criando uma série de práticas sem fundamento bíblico, levando os historiadores até hoje a uma grande questão: o cristianismo foi paganizado pela igreja ou a igreja cristianizou o paganismo?
No rastro dessas inovações e influenciada pelo mundo pagão, a igreja começou a transformar os mártires da fé cristã em intermediários entre Deus e os homens; ao elaborar festas específicas a esses mártires, rapidamente os fiéis passaram a adorá-los como se fossem os deuses e entidades do antigo panteão romano. Na mitologia grega já existia uma lenda envolvendo os dois filhos gêmeos de Zeus, Castor e Pólux, levando alguns estudiosos a concluir que a adoração dedicada a Cosme e Damião tenha sido fortemente influenciada por este mito. Venerados como padroeiros dos médicos, gêmeos e farmacêuticos, passaram a ser invocados como protetores das crianças e, desde o século V, algumas igrejas ofereciam um óleo como o nome dos irmãos, onde se acreditava que possuía poderes para curar doenças e dar filhos às mulheres estéreis.
O culto aos santos Cosme e Damião espalhou-se pela Europa e desembarcou no Brasil trazido pelos portugueses que iniciaram a colonização no século XVI. Em 1530, uma das mais antigas igrejas católicas do país foi dedicada a esses santos no município de Igarassu, na região metropolitana do Recife. Mas, no Brasil o culto a esses santos ganhou uma roupagem diferente, sobretudo, porque ambos os santos, foram incorporados pelas religiões afro-brasileiras, como a Umbanda e o Candomblé.

3. As relações entre a festa de Cosme e Damião e as religiões afro-brasileiras

Nas comunidades africanas da nação iorubá são bastante populares os cultos aos chamados orixás-crianças (ibejis[1]). Segundo os mitos iorubás os ibejis seriam filhos de Iemanjá (a rainha das águas) e Oxalá (o criador). Já outras tradições atribuem a paternidade dos ibejis a Xangô (o senhor dos raios). E há tradições que atribuem a Iansã (orixá feminino dos ventos, tempestades e paixões) a origem dos ibejis; estes porém, foram abandonados por Iansã e criados por Oxum (orixá feminino dos rios, riquezas materiais, bebês e recém-nascidos) como se fossem seus próprios filhos.
Ao serem trazidos como escravos para o Brasil, os africanos eram batizados, recebiam um novo nome e eram orientados a esquecerem suas tradições e a abraçar os preceitos do catolicismo. Muitos escravos como uma forma de manter a unidade do grupo ou mesmo resistir a escravidão, passaram a adorar as personalidades bíblicas e os santos da igreja católica, mas associando-os com seus orixás e outras entidades religiosas. Os ibejis passaram a ser reverenciados nas figuras de Cosme e Damião. Proibidos de praticarem suas crenças, os africanos fundiram suas tradições com o catolicismo em um processo conhecido como sincretismo cultural.
Com o processo de fusão e logo depois a sedimentação do sincretismo, adeptos das religiões afro-brasileiras e do catolicismo passaram a celebrar a data, geralmente cada grupo reverenciando os elementos de sua religião ou membros das duas crenças celebrando a festa como a uma só personalidade. A festa tornou-se popular em todo o Brasil, mas é na Bahia que se encontram as tradições mais diversificadas.
Antes da aproximação da festa templos religiosos são enfeitados com bandeirolas e desenhos, terreiros de umbanda e barracões de candomblé também se preparam para a celebração; em Salvador (BA) é muito comum crianças e populares saírem às ruas solicitando esmolas e ajuda para a produção de caruru, vatapá, doces e pipocas. No dia da festa os pratos produzidos e as guloseimas são oferecidos pelos adeptos aos santos e entidade de ambas as religiões e depois são distribuídos às crianças, adultos e familiares. Em meio a celebração, orações, danças, músicas e cânticos sagrados são entoados pelos participantes.

4. Os evangélicos e a festa de Cosme e Damião

Os evangélicos de forma geral procuram respeitar todas as manifestações religiosas praticadas pelas pessoas, mas submetendo qualquer padrão de comportamento e regra de fé ao crivo da Palavra de Deus. Tanto no Antigo quanto no Novo Testamento povo de Deus sempre foi orientado a não participar de cultos, sacrifícios, oferendas ou qualquer forma de adoração ministrados a qualquer divindade que não fosse o Senhor (Ex. 20.3-5; Dt. 6.4; Is. 42.8; 43.11). A incorporação da festa em escolas e o zelo sem entendimento de muitas pessoas, tem levado os evangélicos a questionarem sobre o mau que existe na distribuição de guloseimas e diversão para as crianças. Existe alguma implicação doutrinária sobre a invocação de santos falecidos para abençoar os pequenos?
A invocação de pessoas falecidas em favor dos vivos é uma prática proibida pelas Escrituras (Dt. 18.9-11; Is. 8.19-20); Cristo é o único mediador e intercessor entre Deus e os homens (I Tm. 2.5; Hb. 7.25); no Novo Testamento todos aqueles que se convertiam a Deus eram chamados de santos (Rm. 1.7; EF. 3.8; 4.11-12); participar ou comer de coisas sacrificadas aos ídolos foi algo veementemente proibido pela Palavra (At. 15.29; I Co. 10.25,28; II Co. 6.14-16); Jesus é o único que pode nos abençoar e as nossas orações devem ser dirigidas a Deus apenas em seu nome (Jo. 14.13-14; 16.23-24); em algumas populares orações destinadas a Cosme e Damião é solicitado "que o sangue desses mártires, servos da Santíssima Trindade, lave os meus pecados e purifique todo o meu ser". Entretanto a Bíblia diz que somente o Cordeiro de Deus [Jesus) pode nos purificar de todos os pecados (Jo. 1.29; Hb. 10.12,14; I Jo. 1.7,9).

5. Considerações finais

Observe o texto abaixo.

Fui no jardim colher as rosas
A vovozinha deu-me a rosa mais formosa
Fui no jardim colher as rosas
A vovozinha deu-me a rosa mais formosa
Cosme e Damião, ÔOOOh Doun
Crispim, Crispiniano São os filhos de Ogum
Cosme e Damião, ÔOOOh Doun
Crispim, Crispiniano São os filhos de Ogum

(Cantiga da umbanda em que o catolicismo se funde com os cultos afros).

A cantiga acima revela muito bem o sincretismo entre o catolicismo e as religiões afro-brasileiras no que concerne a veneração dos santos Cosme e Damião. Portanto é altamente recomendável que os pais evangélicos orientem seus filhos a não participarem dessa festa, não apenas pelo caráter de fusão e sincretismo, mas, sobretudo, porque a própria Bíblia nos orienta a não adorarmos qualquer outra divindade além do Senhor. Ao mesmo tempo, os exemplos de Cosme e Damião deveriam ser lembrados por todos os cristãos (assim como o de outros fieis servos de Deus no passado), mas a igreja jamais deve transformar esses homens e mulheres em supostos mediadores entre os homens e o Senhor. Só há uma Pessoa que concentra os tesouros celestiais, a salvação e a nossa paz: essa Pessoa é Cristo (At. 4.12; Ef. 2.13-14; Cl. 1.14).

Referências

APEC – Aliança Pró Evangelização das Crianças. A vida de Cosme e Damião. Disponível em: <http://estudosbiblicos.space blog.com.br/87212/A-VIDA-DE-COSME-E-DAMIAO/>.Acesso em: 07 nov. 2011.
Guizzetti, Franco. Faça a oração de Cosme e Damião para proteger as crianças. Disponível em: <http://vidaeestilo.terra.com. br/esoterico/interna/0,,OI5378108-EI14322,00Faca+a+oracao+de+Co sme+e+Damiao+para+proteger+as+criancas.html>. Acesso em: 07 nov. 2011.
Raphael, Danilo. Cosme e Damião. Defesa da Fé, nº 39, Ano 5, outubro/2001. Disponível em: Disponível em: <http://www.jesussite.co m.br/acervo.asp?id=758>. Acesso em: 07 nov. 2011.
SÃO Cosme e São Damião. Disponível em: <http://www.uniafro.xg.om.br/saocosmeedamiao.htm>. Acesso em: 07 nov. 2011.
SGARBOSSA, Mario; GIOVANNINI, Luigi. Um santo para cada dia. 7 ed. São Paulo: Paulus, 1983. 421 p.
Wikipédia, a enciclopédia livre. Cosme e Damião. Disponível em:<http://pt.wikipedia.org/wiki/Cosme_e_Dami%C3% A3o>. Aces-so em: 07 nov. 2011.




[1] A palavra Ibeji que dizer gêmeos. É um referência aos irmãos Taiwo e Kehinde, orixás originais na cultura iorubá.

domingo, 26 de agosto de 2012

O “fundamentalismo neo-ateu”, falacioso e desonesto de Matthew Chapman


O que é intolerância? Como melhor se define essa expressão? Apesar do artigo abaixo propor uma aparente dicotomia entre o ateu "maldoso" e o cristão "bonzinho", não deixa de ser interessante observar como atualmente os cristãos estão sendo associados a todo tipo de fanatismo religioso e intolerância, quando ao mesmo tempo suas convicções doutrinárias, éticas, morais, acadêmicas, sexuais e sociais são o tempo todo ridicularizadas e associadas ao atraso. Se questionamos uma informação, somos preconceituosos. Se somos criticados isso é visto como um avanço. Afinal de contas, o que é ser preconceituoso? Analise o artigo abaixo e acompanhe essa discussão. Ruy Marinho é um cristão reformado, casado com Sandra Nara e pai do Davi. Diretor de arte, designer gráfico por formação. Teólogo, apologista cristão e blogueiro, autor de diversos artigos referentes à defesa da fé cristã, bem como refutações de práticas anti-bíblicas, de seitas e heresias. Editor do Blog Bereianos e articulista de outros blogs e sites.

Por Ruy Marinho

Nesta semana, tive o conhecimento de uma entrevista feita com o bisneto de Charles Darwin, Sr. Matthew Chapman, publicada no site UOL e noticiada pelo Gospel+. Trata-se de um cineasta neo-ateu norte-americano, que dirigiu um filme chamado “A Tentação”, o qual estreou no Brasil recentemente.
Confesso que tenho o hábito de acompanhar debates interessantes entre apologistas cristãos e ateus, muitos deles com um bom nível de respeito e honestidade com as questões abordadas. Porém, fiquei surpreso com a desonestidade intelectual apresentada nesta entrevista por este secularista pós-moderno norte-americano. Com alto teor de covardia e afirmações falaciosas, Chapman parece não ter “evoluído” segundo seu bisavô famoso. Afinal, Charles Darwin não era necessariamente ateu, mas sim agnóstico, bem mais coerente nos questionamentos sobre a existência de Deus do que seu bisneto. Além disso, existem indícios de que no final de sua vida Darwin tenha reconciliado-se com o cristianismo.[1]
Na entrevista, o Sr. Chapman afirma: “Eu achei que estava na hora de fazer um thriller sobre os dois lados opostos da fé americana. Um que é secular, sofisticado e educado e outro que é bíblico, homofóbico, subjuga as mulheres e acredita que o universo só tem 10 mil anos de idade. E tem muita gente que acredita nisso nos EUA.”
Com este argumento desonesto e depreciativo ao cristianismo, o Sr. Chapman em uma atitude dualisticamente maniqueísta, coloca os ateus como sofisticados e educados, contrapondo os cristãos como mal-educados, homofóbicos e subjugantes de mulheres. Ele erra ao utilizar este argumento inconsistente, pois ignora a realidade dos fatos para expressar seu pensamento tendencioso. É óbvio que existem alguns mal-educados no meio cristão, como também existe no meio secular e inclusive entre os ateus. Prova disso é a própria atitude do Sr. Chapman, na qual mostra exatamente o oposto do que ele afirma ser. Ora, suas afirmações não procedem! Os ensinamentos do cristianismo são totalmente opostos aos que ele acusa.
Como cristãos, reprovamos qualquer atitude de violência. O fato de não concordar com o comportamento homossexual em razão da fé cristã e de questões naturais, não significa que somos “doentes”. Ora, a palavra homofobia é uma patologia psicológica direcionada àqueles que possuem medo irracional ou aversão excessiva pelos homossexuais. Esta palavra é utilizada desonestamente por militantes gays para nomear aqueles que manifestam “opiniões” contrárias às práticas homossexuais. Uma incoerência absurda que infelizmente virou moda no Brasil!
Outra afirmação falsa é que o cristianismo subjuga mulheres. Quem ler a Bíblia respeitando o contexto completo, saberá que nenhuma outra religião do mundo concede às mulheres uma posição tão privilegiada e honrosa como o cristianismo. No Antigo Testamento, por conta da dureza do coração da humanidade e segundo o contexto cultural e histórico da época, existia uma punição rigorosa, tanto para mulheres adúlteras, quanto para homens adúlteros, ladrões, assassinos, estupradores etc. (Lv 20:10, 20:27, 24:10-13. Dt 13:5-10, 21:8-21, 22:22-24). Porém, como desconhecedores da Bíblia, os ateus fragmentam as escrituras pegando textos isolados da Antiga Aliança, bem como ignoram o Novo Testamento, para tentar descredibilizar a Bíblia e ainda afirmar que tais atos são praticados por nós cristãos nos dias de hoje. Um absurdo!
Deus criou a mulher, pois sabia que sem ela, o homem não seria feliz (Gn 2:18). Sara, a esposa de Abraão, é citada dentre os que servem de exemplo para toda a humanidade (Hb 11:11). O próprio Jesus evangelizou a mulher Samaritana e tratou-a com amor e dignidade, embora tivesse ela uma vida totalmente imoral (Jo 4:9). Jesus perdoou a mulher adúltera e mostrou que é totalmente contra o machismo, claro, ordenando que ela não adulterasse mais (Jo 8:7-11). Cristo honrou todas as mulheres, pois após a ressurreição, apareceu, primeiramente, para uma mulher: Maria Madalena (Jo 20:11-18) Esta mesma mulher, Maria Madalena, teve a honra de ser a primeira pessoa a anunciar a ressurreição do Salvador (Jo 20:18). O apóstolo Paulo destaca figuras femininas que foram destaque no seu ministério (Rm 16:12). A Bíblia Sagrada proíbe o homem de ter mais de uma esposa (Gn 2:24, Mt 19:5-6, 1Tm 3:2), proíbe que o homem repudie a esposa, salvo se ela for infiel a ele (Mt 5:32). As mulheres virtuosas são comparadas a jóias preciosas (Pv 31:10). É dito que uma boa esposa é uma dádiva de Deus (Pv 19:14). Às mulheres é legado a capacidade de poder edificar o seu lar (Pv 14:1). Através da instrumentalidade de uma mulher, o Salvador veio ao mundo (Lc 1:30-31) A Bíblia Sagrada ordena que as mulheres sejam tratadas com amor e dignidade, Paulo repete isso três vezes em Efésios 5 (vs 25, 28 e 33). Elas devem ser tratadas com respeito e dignidade – (1Pe 3:7).
Já que o Sr. Chapman não conhece tanto a Bíblia, ele deveria se preocupar mais em provar a veracidade dos estudos de seu bisavô. Afinal, existem muito mais problemas em transformar a “teoria” da evolução em “verdade absoluta” do que suspeitas para descredenciar o criacionismo bíblico. Porém, ignorando estes fatos, ele estranhamente faz uma inversão de valores ao desmerecer os cristãos que acreditam nos relatos bíblicos, exaltando o ateísmo como posição correta. Grande incoerência!
Na tentativa de desmoralizar o cristianismo, ele afirma: “Se a única coisa que está impedindo você de matar uma criança é porque Deus mandou você não fazer isso, você é maluco. É óbvio que você não deve matar uma criança, você não precisa de que alguém te diga isso. Você pode ver sofrimento e reagir a ele.”
O argumento que o Sr. Chapmam utiliza é falacioso! Um cristão não mata crianças só porque Deus mandou não matar (Ex 20:13), mas principalmente porque temos o amor de Deus introduzido em nossos corações (Rm 2:15, Hb 4:12 e 10:16). É claro que para pessoas como Chapmam, este amor será algo “maluco”, pois a loucura de Deus é mais sábia do que os homens (1Co 1:25). Na verdade, sabedoria é o que falta nos argumentos de Chapman, pois os mesmos contradizem com a realidade. Haja vista, os regimes comunistas ateus como Josef Stalin, Mao Tsé-Tung e Pol Pot que mataram milhões de pessoas – inclusive várias crianças – em proporções bem maiores que as distorções religiosas como a inquisição, o terrorismo e as cruzadas. Até Adolf Hitler usou a teoria de Darwin como justificativa filosófica para o Holocausto. [2]
Chapman insiste, afirmando que não precisamos de ninguém para dizer que não devemos matar uma criança, pois reagimos naturalmente ao sofrimento. Ele deveria dizer isso a um pscicopata, um pedófilo ou um sequestrador, que em suas próprias decisões “naturais” matam crianças, ou então para índios de algumas tribos que enterram crianças vivas por conta de defeitos genéticos. Quem sabe, perguntar aqueles que matam crianças indefesas em algumas escolas, atirando loucamente com arma de fogo para todos os lados, ou então para as seitas que sacrificam crianças em seus rituais macabros. Por que será que essas pessoas não “reagem ao sofrimento”?
Na verdade, essa tentativa de justificar a bondade de forma naturalista que Chapman utiliza, parte de uma premissa sem fundamento. Qual é a base para o princípio de bondade no ser humano? Qualquer tentativa de responder esta pergunta – ignorando os princípios de Deus como autor absoluto de bondade e justiça, torna-se subjetiva e incoerente. Por exemplo, se o princípio de bondade vier instintamente “do que achamos certo”, trata-se de um pressuposto inconsistente, pois o que é bom para Chapman pode não ser bom para nós, o que é bom para a maioria, não é bom para uma minoria, o que é bom para uma cultura ocidental, pode não ser bom para uma cultura oriental, e assim por diante.
Então, de onde parte esta reação moral do ser humano? Da possibilidade de que a moralidade estaria embutida no DNA ou em processos naturais, conforme defendem os darwinistas? Impossível, pois segundo o darwinismo existe apenas o material, mas o material não possui moralidade. Qual o peso do ódio? Existe um átomo para o amor? Qual é a composição química da molécula do homicídio? Perguntas totalmente sem sentido porque partículas físicas não são responsáveis pela moralidade. Sem uma fonte objetiva e transcendente de moralidade, todas as questões morais nada mais são do que preferências pessoais subjetivas. Além do mais, mesmo descobrindo um “sentimento moral” dentro de nós, não significa que não exista lei moral objetiva fora de nós mesmos. Portanto, sem Deus não existe referencial fixo para o princípio de bondade!
Chapman não foi feliz ao concluir uma opinião sobre o Brasil sem ao menos analisar os fatos verdadeiros. Vejamos a afirmação dele: “Se você analisar sociedades com menos envolvimento religioso, como Suécia e Escandinávia, os países tratam seus cidadãos melhor do que países como Irã, Iraque, Paquistão e Afeganistão. Que fazem coisas atrozes às pessoas, a mulheres, crianças, artistas e homossexuais. Eu conheço o país muito bem, é que vocês tem um crescimento muito grande de fundamentalistas cristãos e evangélicos e eu acho que isso é algo que é preciso tomar cuidado, para que eles não ganhem muito poder.”
O Sr. Chapman formula muito mal o seu “fundamentalismo ateu”[3], pois mostra-se desonesto ao fazer um falso julgamento sobre o nosso país sem ao menos conhecê-lo, bem como comparar o Brasil à países com predominância de mussulmanos radicais. Bastaria para ele uma simples análise nas estatísticas do IBGE para constatar que os quase 200 milhões de habitantes no Brasil, 86,8% são cristãos, dos quais 64,6% católicos, 22,2% evangélicos; 10,8% sem religião/outros, 2% espíritas, 0,3% ubanda e candomblé.[4]
Se o raciocínio dele estivesse certo, o Brasil seria um país confessional e intolerante à outras religiões, não haveria democracia, teríamos atentados terroristas, perseguições religiosas e matanças por todos os lados. Ao contrário disto, somos um país miscigenado, aconfessional, onde convivem o afro-religioso, o espírita, o evangélico, o católico, o ateu, o mussulmano etc. Nossa Constituição Federal garante exatamente o contrário do que Chapman afirma: a liberdade religiosa e liberdade de expressão (art.3 inciso IV, art.5 incisos VI, VIII e IX ). No Estado democrático brasileiro, o respeito as crenças e valores filosóficos da sociedade provam explicitamente a democracia estabelecida. Inclusive o nosso país é presidido por uma mulher, além de possuir uma representatividade feminina muito forte nos três poderes: judiciário, legislativo e executivo. O povo elege diretamente suas lideranças através de voto popular. Portanto, comparar o Brasil com países intolerantes é completamente incoerente, pois é incompatível com a nossa realidade.
Por fim, o Sr. Chapman foi desonesto em utilizar de forma pejorativa o termo “fundamentalismo cristão”. Comparar os fundamentos cristãos bíblicos com distorções religiosas violentas é um absurdo. Os fundamentos do cristianismo não são ofensivos, muito menos possuem alguma semelhança com países de predominância de mussulmanos radicais, pelo contrário, justamente por questões de intolerância religiosa que existem vários cristãos perseguidos, presos e até mortos nestes países. No cristianismo, os ensinos de Jesus Cristo convocam até mesmo ao amor pelos inimigos. “Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23.34). “Então, Pedro, aproximando-se, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete” (Mt 18.21-22).
Se o objetivo do Sr. Chapman foi criar polêmica para aproveitar a mídia em benefício de divulgar o seu filme, creio que a estratégia não foi das melhores. Com certeza, a grande maioria dos brasileiros não verá tal filme de conteúdo ateísta, inclusive eu.
Soli Deo Gloria!

Notas:
1 – Oswald 3. Smith, Litt. D., artigo extraído de Prayer Crusade, publicada por The Little Church by the Sea, mc.) Citado no livro: O que eles disseram a um passo da eternidade, John Myers, pp. 244, Worship Produções, D’Sena Editora. Para saber mais, clique aqui!
 2 – Adolf Hitler – Mein Kampf, de 1924. Quarta reimpressão. Londres: Hurst & Blackett, 1939, p. 239-40,242 [publicado em português pela Editora Cenrauro, Minha luta].
 3 – Embora muitos neo-ateus discordem do termo “fundamentalista ateu”, o mesmo tem sentido ao ser aplicado quando um ateu “fundamenta” suas convicções e segue à risca os preceitos derivados. Desta forma, a colocação ateísta de oximoro para tal termo é descartada, pois existe uma defesa dos fundamentos de convicções. Como diria P.E.Johnson: “Aquele q afirma ser cético em relação a um conjunto específico de crenças é, na verdade, um crente em outro conjunto de crenças.”
 4 – IBGE, senso demográfico 2010.

Fonte: Gospel Mais

http://colunas.gospelmais.com.br/o-fundamentalismo-neo-ateu-falacioso-e-desonesto-de-matthew-chapman_2163.html