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domingo, 22 de fevereiro de 2015

Educação: Ensino precisa passar por renovação urgente!

O artigo escrito por Andrey Gonçalves dos Santos apenas reafirma o que outros especialistas e educadores já vem argumentando a um bom tempo. A educação brasileira está parada no tempo e, movida pelas pressões de coletivos, movimentos e grupos de pressão da sociedade, ela foi dominada por uma pedagogia enviesadamente esquerdista, que está muito mais preocupada em atender a esses grupos de pressão, do que mediar o conhecimento e preparar o aluno para a vida e o mercado de trabalho.

     Por Andrey Gonçalves dos Santos

Nos últimos meses venho debatendo e colocando à prova que o atual método de ensino precisa passar por uma renovação. Afinal, por que a evasão das salas de aulas tem aumentado tanto? Não se trata de uma única razão, mas um conjunto de fatores que tornaram o ensino desinteressante.

A escola não forma um profissional


Alunos aprendem sem saber como aplicar

Infelizmente é uma constatação. A escola forma verdadeiros “fazedores de lição” que repetem o que é jogado no quadro como se fossem papagaios. Alunos do Ensino Fundamental e Médio formados pela rede pública se formam sem nenhum preparo para o mercado de trabalho. Não há uma preocupação em direcionar a criança e o adolescente para uma carreira e o resultado é catastrófico. Milhares de jovens formados, simplesmente não têm ideia do que gostariam de fazer. As carreiras continuam sendo as mesmas procuradas a décadas porque a escola não abre os horizontes do aluno. Este é um dos principais fatores geradores do descrédito do ensino e, consequentemente, pelo aumento da evasão escolar. A grande queixa é:
Vou empatar meu tempo em algo que não me serve para nada.
Como se as disciplinas convencionais não fossem importantes e isto não é verdade.

Foco e direcionamento do ensino


As disciplinas convencionais são imprescindíveis para o aprendizado completo do ser humano, mas falta dar um direcionamento, um foco, um objetivo para cada disciplina oferecida.
Hoje as disciplinas são apresentadas aos alunos de maneira compulsória quando seria mais atraente para o aprendizado demonstrar onde cada ponto pode ser aplicado, estimulando a percepção e até a curiosidade do aluno em aplicar os novos conhecimentos nas mais diversas profissões.
As Leis da Física são necessárias para criar os melhores jogos de videogames
Certamente esta informação tornaria as aulas de Física mais interessantes para os alunos que começam a estudar fórmulas e mais fórmulas sem sequer saber para que estão aprendendo a calcular. A velocidade de um passarinho de 200 gramas arremessado a uma altura de 100 metros em um ângulo de 45 graus sob a força da gravidade da Terra faz com que ele caia a uma distância a ser calculada por estas fórmulas. Se este mesmo passarinho for arremessado em Marte, a distância atingida seria diferente e calculada pelas mesmas fórmulas. Alguém reconhece este jogo? Preciso falar mais a respeito de como a gamefication pode ajudar no ensino de tudo?
Gamification é o processo que utiliza conceitos e tecnologias de jogos para atrair, reter e aumentar o uso de um site ou de um serviço. Tipicamente, a ideia é incentivar os membros a participarem de desafios ou tarefas especialmente projetadas, para que tenham o comportamento desejado. Ao participarem de forma satisfatória, conquistam pontos ou atingem um determinado status.

Angry Birds é um exemplo de jogo que aplica as leis da Física

Então, quando pedirmos ao aluno para atingir os porquinhos arremessando um dos passarinhos, estamos, indiretamente, fazendo com que o aluno aplique as fórmulas para alcançar um objetivo e marcar pontos! Percebam como o ensino da Física está sendo dado de uma maneira aplicada e completamente direcionada aos interesses do aluno, tornando o aprendizado mais agradável, divertido e natural. Sem dúvida, o professor que souber trabalhar aplicando esta metodologia terá resultados mais eficientes com os alunos que, por sua vez, desenvolverão um interesse espontâneo pelo aprendizado da disciplina. Sugiro a leitura do artigo Reeducação Lógica para melhor compreensão.

Reciclagem dos educadores


Aplicar novas metodologias e conceitos ao atual modelo de ensino requer mais do que tecnologia. É preciso reciclar os educadores para que estejam aptos a interagir com os alunos através de uma nova didática. Tudo o que conhecemos mudou nas últimas décadas e fica fácil perceber isso ao observar as crianças desta geração e comparar com as gerações anteriores. Um exemplo muito simples é comparar as últimas quatro gerações. Vamos lá…
* Meus avós sequer entendiam com clareza o uso da tecnologia.
* Meus pais compreendiam a importância da tecnologia, tanto que me influenciaram a estudar informática.
* Eu não só tenho fluência no manuseio da informática como sou profissional da área.
* Minha filha lida com smartphone, tablet, MP4, e-mails, jogos eletrônicos, redes sociais e fala com muita naturalidade sobre estas questões desde que aprendeu a falar, praticamente.
Adivinhem como serão as próximas gerações… Mais íntimas da tecnologia e mais cedo! Notem que a tecnologia passa a ser algo tão natural que a maneira como pensamos sobre determinadas coisas mudou e sequer nos demos conta disso! Portanto, se este pensamento e a maneira de lidar com a tecnologia em nossas vidas mudou, significa que nos tornamos mais produtivos, conectados, exigentes… Assim como os alunos também não poderiam ser diferentes. Estão cada vez mais exigentes, com poder cognitivo mais apurado e precisando de desafios maiores na escola que se justifiquem.

Melhor remuneração e fidelização do professor


Desde que comecei a lecionar não pude deixar de notar a quantidade de instituições que um professor chega a trabalhar. Isso acaba acontecendo porque a instituição não oferece uma quantidade de aulas suficientes para que o professor consiga uma estabilidade financeira. O resultado é o desgaste e perda de tempo do professor no deslocamento entre as instituições, além de comprometer o rendimento dentro das salas de aulas. Infelizmente, alguns professores largam a turma mais cedo para ter tempo hábil de chegar no horário em outra instituição. Quem sofre com isso são os alunos que acabam perdendo este tempo sem o devido acompanhamento do professor. Isso acontece porque a remuneração é baixa e fidelizar o professor não parece ser uma prioridade da maior parte das instituições (dedicação exclusiva). Contudo, a remuneração de um professor do Ensino Médio não é das piores, chegando a quase 20 reais / hora aula. Ainda existem algumas considerações a serem feitas como um percentual a mais para cobrir o tempo gasto fora da sala de aula para elaboração de material, correções de provas, lançamento de frequência e notas. Outro ponto positivo é a qualidade de vida, onde o professor usufrui de um recesso e férias todo ano. Claro que professor trabalha muito mais do que o período nas salas de aula. As atividades levadas para casa são muitas e, dependendo da didática do professor, 1 hora de aula pode representar até 2 horas de trabalho fora da sala. Sendo assim, é impossível comparar a remuneração de um professor com qualquer outra profissão no mercado de trabalho. Infelizmente isso faz com que poucas pessoas pensem em dedicar seu tempo a lecionar e ser professor acaba se tornando um trabalho de renda complementar (bico). Se é um trabalho para renda complementar, então não é a principal atividade e, consequentemente, não terá a dedicação devida. Professores melhores remunerados e com segurança dentro de uma única instituição é o primeiro passo para pensarmos em melhorar metodologias, didática e reciclagem dos educadores.

Professor com experiência de mercado


Está ligado ao assunto abordado anteriormente, sendo o item de maior relevância dentro do trabalho que venho realizando. O melhor professor é aquele que tem maior bagagem a oferecer no preparo dos alunos, principalmente para enfrentar o mercado de trabalho. Professores de disciplinas da grade curricular padrão (língua portuguesa, matemática, física, geografia, história, química, etc…) bastam passar pela reciclagem didática e estarão aptos a continuar oferecendo todo conteúdo com melhor qualidade e dentro dos moldes que conversamos em Foco e direcionamento do ensino. No entanto, professores de disciplinas técnicas precisam oferecer conteúdo atualizado e alinhado com o mercado de trabalho atual. Não adianta querer ensinar apenas o que aprendeu na universidade. Por este motivo eu aposto muito no professor que vem do mercado de trabalho com muita bagagem para repassar aos seus alunos. Eu trabalhei por mais de 20 anos no mercado de tecnologia da informação, desde programador, analista de sistemas, analista de negócios, gestor de projetos e, nos últimos anos, gestor de TI, antes de tomar a decisão de lecionar. O resultado nas salas de aulas são surpreendentes, mantendo os alunos interessados e focados no aprendizado o tempo todo. Falar sobre assuntos que domino amplamente e poder compartilhar com meus alunos é tão bom que as extensas aulas do Pronatec passam rapidamente e, por muitas vezes, passamos do horário continuando o assunto que aguçou a curiosidade dos alunos. O melhor de tudo é ouvir dos próprios alunos a proposta de umas aulas extras, além da grade curricular.

Steve Jobs em discurso memorável em Stanford - EUA

O trabalho de um professor técnico vai além da sala de aula, recomendando blogs, comunidades interessantes, compartilhando artigos, encaminhando para cursos relevantes e preparando o aluno para encarar as dificuldades do mercado de trabalho. Acima de tudo, fazer com que o aluno viva a experiência e dificuldades dentro da sala de aula para que sua estreia não seja no primeiro emprego. Resumindo, dentro da sala de aula o que conta é a experiência a ser passada com segurança. Imaginem o nível das aulas se tivéssemos estes profissionais experientes lecionando disciplinas técnicas. Juízes, advogados, dentistas, engenheiros, gestores, analistas, programadores e todas as demais áreas com seus profissionais dedicando parte do seu tempo para lecionar. Imaginem o nível de profissionais que estaríamos formando e que, com o passar do tempo, estes novos profissionais também dedicariam parte do seu tempo para lecionar, gerando uma corrente positiva para todos nós e para o desenvolvimento contínuo de todo o país. Se tantas correntes inúteis acabam se tornando virais, que mal haveria se esta corrente prosperasse?

  SANTOS, Andrey Gonçalves dos. Educação: Ensino precisa passar por renovação urgente! Disponível em: <https://andreykurka.wordpress.com/2015/01/03/ponto-forte-do-educador/>. Acesso em: 17 fev. 2015.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Felicidade e trabalho

     Ao analisar a reportagem abaixo fiquei pensando sobre a minha realidade. Qual seria o ganho real que a educação teria se eu trabalhasse menos e tivesse mais tempo para preparar aulas melhores, dinâmicas e interativas?

sábado, 24 de janeiro de 2015

Violência que assusta

    O artigo surpreende porque a educação brasileira enfrenta problemas que são bastante conhecidos pela comunidade científica e pela população de forma geral. Que a violência é uma realidade do cotidiano das escolas não chega a ser uma grande novidade, manifestando-se de formas bem variadas, abrangendo desde a violência física, passando pela simbólica, verbal, escrita, psicológica, moral etc. O que espanta é o percentual de brasileiros entrevistados que considera ser a violência o pior problema da escola. Outra coisa curiosa é a explicação apontada pelos especialistas como um dos maiores responsáveis por essa violência: a desvalorização dos professores. Ninguém questionou até que ponto o estudante enxerga a escola como um espaço para a mediação do conhecimento, quando sai de casa e se dirige a um estabelecimento de ensino. Mas, para os entrevistados, controlar essa violência é condição imprescindível para a concretização de uma educação de qualidade. Como fazer esse controle? Essa é a questão.

A educação no Brasil

     O artigo escrito pelo educador Ezequiel Escobar tem o mérito de trazer para o debate alguns problemas que entravam a educação brasileira, como a ausência de uma fiscalização mais efetiva sobre os recursos didáticos e pedagógicos que são enviados ás escolas, para subsidiar as atividades em sala de aula ou propiciar a formação continuada dos educadores. Se por um lado o artigo não se exime de cobrar uma solução meritocrática, que atinja gestores e coordenadores pedagógicos, por outro o educador se cala quando na maioria das vezes os seus pares são contra a aplicação desse mesmo mecanismo, estimulados inclusive pelos diversos sindicatos que afirmam defender uma educação de qualidade.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Dinheiro não compra educação de qualidade

Ultimamente vem se falando com muita frequência sobre o que se denominou "doutrinação ideológica" dentro das escolas públicas e privadas do Brasil. O artigo abaixo, além de questionar algo que é consenso para muitos educadores (o aumento do financiamento público) aborda sob o ponto de vista do autor, como funciona, atua e quem são os segmentos sociais por trás dessa doutrinação.

Por José Maria e Silva

O investimento de 10% do PIB em educação pode não surtir o efeito desejado, caso o ensino brasileiro não se liberte da doutrinação que o assola, como defende a ONG Escola Sem Partido, que realiza o primeiro congresso a tratar do tema.
Caso a educação pudesse ser feita apenas com dinheiro, sem dúvida, o Brasil teria um ensino de Primeiro Mundo. Com a promulgação pela presidente Dilma Rousseff do Plano Nacional de Educação (Lei Federal 13.005), em 25 de junho último, o Brasil terá de aplicar 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em educação, o que significa uma soma anual de R$ 484 bilhões, considerando o PIB de 2013, segundo o IBGE. Hoje, o País investe 5,8% do PIB em educação e, a partir do quinto ano de vigência do plano, isto é, em 2019, esse investimento terá de ser de 7%, alcançando os 10% no final da vigência do plano, em 2024.
Com os 5,8% que já investe na educação, o Brasil desponta como um dos países que mais investem no setor. Segundo reportagem da “Folha de S. Paulo”, publicada em 5 de junho, “entre os países com maior peso na renda mundial, reunidos no G-20, os desembolsos com a educação variam de 2,8%, na Indonésia, a 6,3% do PIB no Reino Unido, de acordo com a ONU”. Ou seja, o Brasil já está próximo do topo do investimento e, com os 10% do PIB para a educação, tende a se isolar na liderança entre as grandes economias, ficando atrás apenas de nações diminutas, como Lesoto, que lidera investindo 13% do PIB, ou de Cuba, cujas estatísticas sociais – jamais fiscalizadas a sério pela ONU – são tão confiáveis quanto uma nota de 3 reais.
O comprometimento desse porcentual do PIB no ensino foi a grande bandeira da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, liderada pelo ex-líder estudantil Daniel Cara, com uma vasta rede de apoiadores nacionais e internacionais, que vão desde a ONG ActionAid, presente em mais de 40 países, até a Unesco e o Unicef, organismos da ONU para a educação, a cultura e a criança, passando pela Open Society do megainvestidor Georges Soros. Essa medida irá salvar a educação brasileira? A resposta é não. Nas condições em que se encontra o ensino no País, investir 10% do PIB em educação é quase jogar sal em carne podre. E uma das razões para se considerar esse gasto um desperdício e não um investimento é, sem dúvida, o viés ideológico da educação brasileira.
O próprio Plano Nacional de Educação é um sintoma da doutrinação que impera nas escolas do País, tanto públicas quanto privadas. A Campanha Nacional pelo Direito à Educação, que sustentou a luta pela aprovação do plano e dos 10% do PIB, é muito mais do que a face de Daniel Cara, fartamente entrevistado pela imprensa como líder do movimento. Seu comitê diretivo conta com 11 entidades, entre elas o Centro de Cultura Luiz Freire, um grupo de esquerda radical de Pernambuco, sediado em Olinda, que defende o controle social dos meios de comunicação, e até o indefectível MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), com 2 mil es­colas em seus assentamentos e a­campamentos, nas quais oferece uma educação à moda cubana, tendo Che Guevara como modelo.

Universidades viraram incubadoras de minorias

Hoje, muitos movimentos sociais não surgem espontaneamente – são fomentados ou até criados pelas universidades, que se tornaram verdadeiras incubadoras de minorias. Na maior parte dos casos, de forma culposa, em decorrência de uma pregação ideológica geral, mas, em alguns casos, de modo doloso, por meio da organização institucional desses movimentos, que contam até com financiamento público, geralmente com verbas destinadas à pesquisa e à extensão universitária.
É o caso, por exemplo, do Centro de Difu­são do Comunismo da Uni­ver­si­dade Federal de Ouro Preto (MG), um programa de extensão vin­culado ao Curso de Serviço Social da universidade, que oferecia bolsas de pesquisas para os alunos participantes de suas atividades de militância política contra o capitalismo.
Apesar de declarar que “não é um programa acadêmico com objetivos político-partidários”, o Centro de Difusão do Comunismo afirma que seu objetivo é “desenvolver o trabalho de ensino, pesquisa e extensão a partir da perspectiva da classe trabalhadora – do ser social que trabalha e é explorado – e lutar por uma sociedade para além do capital!”. O próprio nome não poderia ser mais expressivo: em vez de um “grupo de estudos” do marxismo, como muitos que pululam dentro das universidades pelo País afora, trata-se de um “centro de difusão” do comunismo, o que revela o seu papel de militância política e não de estudo apenas teórico.
Diante desse aparelhamento político da universidade, um advogado de São Luís do Maranhão, Pedro Leonel Pinto, entrou com uma ação popular contra o centro comunista e conseguiu que a Justiça Federal suspendesse o custeio de suas atividades por parte da Universidade Federal de Ouro Preto, que ficou impedida de fornecer professores e disponibilizar suas dependências para as atividades do centro. Todavia, a única medida que deve ter surtido efeito prático foi a suspensão do pagamento das bolsas de extensão para os ativistas do centro, pois a pregação comunista continuou dentro da própria universidade, a despeito da decisão da Justiça.
De 24 de abril a 10 de julho último, por exemplo, o Núcleo de Estudos Marxistas da Federal de Ouro Preto, vinculado ao CNPq, promoveu um encontro sobre a obra do marxista húngaro István Mészáros, realizado nas dependências do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas da universidade. Nos cartazes de divulgação das palestras aparece a frase: “Em apoio ao Centro de Difusão do Comunis­mo”. No mês de maio, também nas dependências do instituto, foi realizado um “Encontro com os Traba­­lhadores”, envolvendo quatro sindicatos, promovido pelo Curso de Serviço Social em apoio ao Centro de Difusão do Comunismo. No cartaz de divulgação do evento, uma frase desafiadora: “Ação judicial nenhuma vai impedir nossa luta ao lado dos trabalhadores”.

Minorias com verbas milionárias

Não se trata de um caso isolado, mas de uma tendência. Pelo Brasil afora, núcleos de estudantes de pós-graduação ou graduandos com bolsa de iniciação científica engrossam as fileiras de movimentos como a Marcha das Vadias, a Marcha da Maconha, o Movimento Passe Livre e os black blocs, geralmente associando a militância política com as atividades discentes. O movimento gay, o movimento negro e o movimento feminista são os que mais se beneficiam da doutrinação ideológica que impera nos meios acadêmicos. Hoje, na área de humanidades, não faltam linhas de pesquisa destinadas aos estudos de raça e de gênero, que se tornaram até mais atraentes do que os estudos de classe das velhas gerações do marxismo ortodoxo, calcado no materialismo histórico-dialético.
O próprio movimento negro, que tem raízes numa luta justa contra o racismo, especialmente nos Estados Unidos, adquiriu contornos claramente artificiais, chegando a ser ele próprio segregacionista ao tratar o branco como inimigo e o mulato como um ser desprezível, que só é digno de respeito caso se assuma como negro. No excelente livro “Uma Gota de Sangue”, o geógrafo e sociólogo Demétrio Magnoli disseca a criação artificial de minorias pelo mundo afora, num levantamento à altura dos estudos do economista norte-americano Thomas Sowell, que, analisando as ações afirmativas de países como Estados Unidos, Índia, Ni­gé­ria, Sri Lanka e Malásia, de­monstra a ineficácia das políticas pú­blicas que visam a emancipar as mi­norias e, no mais das vezes, acabam produzindo injustiças e conflitos.
E o que é mais grave: muitas dessas minorias só tomam consciência de si, criando uma história que nunca tiveram, por meio do discurso ideológico produzido nas universidades e fomentado com recursos de poderosas fundações privadas, como a Fundação Ford. De­métrio Magnoli descreve esse fenômeno: “Diferentemente das nações, que emanam de um processo complexo de fabricação de uma história, uma literatura e uma geografia, as ‘minorias’ da globalização emergem apenas de uma postulação étnica superficial. Nações podem até ser interpretadas como imposturas, mas são imposturas nas quais o povo acredita. As ‘minorias’, em contraste, são imposturas nas quais nem mesmo os impostores acreditam”.
Para Demétrio Magnoli, as elites multiculturalistas que formam essas minorias artificiais “não precisam de apoio popular, pois a sua legitimidade se conquista nos salões suntuosos das instituições internacionais”. O autor mostra que só a Fundação Ford destinou 280 milhões de dólares, em 2001, para criar programas de pós-graduação voltados para a formação de “lideranças emergentes de comunidades marginalizadas fora dos EUA”. Segundo outras fontes, de 1962 a 2001, a Fundação Ford investiu só no Brasil 347 milhões de dólares, em valores corrigidos pela inflação. Magnoli afirma que “as subvenções da Fundação replicaram nas universidades brasileiras os modelos de estudos étnicos e de ‘relações raciais’ aplicados nos EUA e consolidaram uma rede de organizações racialistas que começaram a produzir os discursos e demandas dos similares norte-americanos”.

Atentado à dignidade humana

Ora, se até o histórico movimento negro já está perdendo suas raízes legítimas e se tornando um engenho ideológico da academia, o que dizer de movimentos sem qualquer lastro histórico, como a Marcha das Vadias? Tanto no Canadá, onde teve origem, quanto no Brasil, que imita tudo, essa marcha é pura consequência dos estudos de gênero que se disseminaram pelas universidades de todo o mundo. Vá lá que, em metrópoles como São Paulo ou Nova York, onde existem tribos para todos os gostos, esse tipo de marcha pudesse surgir espontaneamente (e nem isso ocorre). Mas o que dizer da modesta cidade de Jataí, no interior de Goiás, com seus 93.759 habitantes? Lá, a “Marcha das Vadias” só existe porque conta com o apoio do Campus UFG, por meio de um grupo de extensão sobre gênero, direitos e violência.
O extremismo ideológico que grassa nas universidades pode chegar ao ponto de destruir a própria dignidade humana, equiparando-se aos experimentos de Joseph Men­gele no ápice do terror nazista. Em 29 de maio último, os alunos do curso de Produção Cultural da Universidade Federal Fluminense, como parte da disciplina chamada “Corpo e Resistência”, promoveram no Campus de Rio das Ostras o evento “Xereca Satânica”, em que, a pretexto de denunciar o alto índice de estupro, uma mulher teve a vagina costurada no meio da festa. Depois que o evento foi denunciado na grande imprensa, a Polícia Federal chegou a abrir inquérito para apurar responsabilidades, mas provavelmente a investigação não dará em nada, esbarrando na apregoada liberdade estética de seus promotores.
Mais espantoso do que o próprio evento foi a defesa que se tentou fazer dele.
O coordenador do curso de Produção Cultural da Universidade Federal Fluminense, Daniel Caetano, graduado em Cinema e doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade, explicou que a mulher que teve a vagina costurada integra um coletivo de Minas Gerais que foi ao Rio especialmente para participar do evento. E acrescentou: “É um coletivo que está habituado a fazer performances como a que aconteceu, feitas para chocar a sensibilidade das pessoas e fazê-las pensar sobre seus próprios limites”. Ora, se é para testar limites, que se acabe com a tal Comissão da Verdade e se contratem torturadores da ditadura para fazer performances nas universidades.
Daniel Caetano foi ainda mais longe, afirmando taxativamente: “Embora não tenham sido feitos ‘rituais satânicos’ e o título do evento fosse essencialmente provocativo (ao contrário do que o jornalismo marrom afirmou), precisamos dizer que não haverá de nossa parte qualquer censura a atos do gênero”. E desafiou: “Qualquer pessoa em cargo público que porventura se posicionar contra a performance será por nós inquirida acerca de suas atitudes prévias contra os estupros em Rio das Ostras”. Engraçado é que essa gente, quando se trata de combater criminosos armados, sempre fica contra a polícia, alegando que violência não se combate com violência. Mas na universidade ensina a combater o estupro estuprando – o corpo, a inteligência e a dignidade humana.

Efeitos negativos na educação básica

Mas engana-se quem pensa que essa ideologia destrutiva fica restrita às universidades e afeta apenas a qualidade do ensino superior. Ela tem graves consequências na sociedade, especialmente em áreas como saúde e educação. Esse tipo de ativista, até por integrar coletivos ideológicos, participando de amplas redes de relacionamento acadêmico, acaba fazendo especialização, mestrado, doutorado e se tornando autoridade pedagógica, indo pontificar na educação básica sobre gênero, minorias, exclusão. Em que outro lugar um especialista em costurar vagina e teorizar sobre isso arranjaria trabalho? Só mesmo nas Secretarias de Educação, onde poderá pontificar sobre teoria de gênero e “heteronormatividade burguesa”, coordenando a distribuição de camisinhas e kit gay.
Agora pensem quantas camisinhas não dá para distribuir nas escolas com 10% do PIB para gastar? É por isso que, antes de se investir essa fabulosa soma de recursos na educação, seria preciso combater a doutrinação nas escolas. É evidente que o conhecimento não é absolutamente neutro e o professor ou o autor de um livro, na relação com seus alunos e leitores, fatalmente há de misturar alguma crença pessoal em meio aos fatos que leciona. Mas justamente por reconhecer essas limitações humanas, é que a ciência sempre se esforçou para criar métodos que afastassem ao máximo a inevitável subjetividade do indivíduo – e a educação, que serve à ciência e dela se serve, tam­bém esposou esse mesmo prin­cípio, inculcando no mestre a necessidade de cultivar a imparcialidade.
Mas, hoje, ocorre o contrário: ancorando-se em pensadores como o pedagogo Paulo Freire e o filósofo Michel Foucault, o ensino se tornou um instrumento das mais diversas lutas políticas, transformando as escolas num feirão de experimentos de gueto, em que cada minoria julga-se no direito de ter o seu português, a sua matemática, a sua história, a sua geografia, a sua literatura, dilapidando o patrimônio comum que tornou possível o surgimento das grandes civilizações ao longo da história.

Seminário contra a doutrinação

Felizmente, já surgem reações a essa destrutiva politização do ensino. Exemplo disso é a ONG Escola Sem Partido, fundada e coordenada pelo jurista Miguel Nagib, à frente de um grupo de pais e alunos que lutam contra a doutrinação nas escolas. Além do blog que leva seu nome e acumula dezenas de estudos de caso de doutrinação, a ONG realizará na próxima quinta-feira, 24, em Brasília, o I Congresso Nacional so­bre Doutrinação Política e Ideológica nas Escolas, em parceria com a Federação Nacional das Escolas Particulares. O evento será sediado no Colégio Ciman, em Brasília, e terá transmissão ao vivo pela internet, no site da Fenep. O filósofo Olavo de Car­valho será um dos palestrantes, por videoconferência, diretamente dos Estados Unidos, onde reside.
Um fato que chama a atenção no seminário é a presença de professores universitários com doutorado, numa prova de que a fortaleza ideológica da esquerda no ensino superior não é inexpugnável. Luís Lopes Diniz Filho é doutor em Geografia pela USP, professor do Depar­tamento de Geografia da UFPR e autor dos livros “Funda­mentos Epistemoló­gicos da Geografia” (2009) e “Por uma Crítica da Geografia Crítica” (2013). Bráulio Porto de Matos é professor da Faculdade de Edu­cação de Brasília, mestre e doutor em sociologia pela UnB e pós-doutor pela University of Sussex, além de autor de “Pedagogic Authority and Girard’s Analysis of Human Vio­lence” e co-autor de “A Pós-Gra­du­ação no Brasil – Formação e Tra­ba­lho de Mestres e Doutores no País”.
O medievalista Ricardo da Costa é professor do Depar­ta­mento de Teoria da Arte e Música da Uni­ver­sidade Federal do Es­pí­rito e doutor pelo Institut Su­perior d’Investigació Coope­ra­tiva Ivitra. Trajano Sousa de Melo é promotor de Justiça do Minis­tério Público do Distrito Federal e Territórios. Ana Caroline Cam­pagnolo é mestranda em História na Universidade do Estado de Santa Catarina e foi professora de História na rede de ensino pública e privada de seu Estado. Miguel Nagib é advogado e o idealizador de tudo isso. Este que vos escreve completa o quadro de palestrantes. E levo comigo Durkheim, que profeticamente alertava: “De que serviria uma educação que levasse à morte a sociedade que a praticasse?”.

Fonte: SILVA, José Maria. Dinheiro não compra educação de qualidade. Disponível em: <http://www.jornalopcao.com.br/reportagens/dinheiro-nao-compra-educacao-de-qualidade-10516/>. Acesso em: 25 jul. 2014.

domingo, 23 de março de 2014

A internet e a educação

Por Luciano Borges de Santana

Pessoalmente, considero que a internet é a mais revolucionária criação humana depois da escrita. Muito mais revolucionária do que a própria invenção da imprensa dos tipos móveis pelo alemão Johannes Gutenberg no século XV. Os primeiros códigos de escrita desenvolvidos na China, Índia, Egito e Mesopotâmia permitiram que ideias, ideais, sentimentos, valores, finanças, transações comerciais, acordos diplomáticos, descobertas científicas, mitos, discursos políticos, filosóficos e religiosos e o cotidiano das pessoas, fossem registrados e deixados como um testemunho para a posteridade, acerca da existência e dos fatos marcantes vivenciados por aquela sociedade, em um determinado momento da história. A imprensa de Gutenberg, também teve seu valor incalculável para a história, porque barateou os livros e diminuiu o tempo de fabricação das obras escritas. Com a invenção da prensa dos tipos móveis, um numero maior de pessoas puderam ter acesso ao conhecimento, que antes, por força das circunstâncias histórias, era restrito aos monastérios, universidades e alguns cientistas e pesquisadores particulares.

Mas, a internet supera tudo isso. A rede mundial de computadores, por exemplo, permite a uma pessoa entrar virtualmente em alguns museus do mundo, sem sair do conforto de sua residência. Informações são cotidianamente disponibilizadas na rede, possibilitando o acesso em tempo real aos acontecimentos mundiais. Se antes, a notícia quando publicada já corria o risco de estar desatualizada, com a internet ela é atualizada em tempo real. As comunicações nunca avançaram tanto no mundo com a chegada da rede mundial de computadores, onde qualquer programação de rádio e TV pode ser disponibilizada via streaming na rede, até mesmo para grupos e mídias de comunicação que não possuem emissoras ou rádios particulares. A internet também deu voz aos grupos ou segmentos marginalizados pela grande mídia, que não interessavam às grandes corporações ou ao próprio Estado de direito. Através da rede, esses cidadãos podem demonstrar suas convicções, criticar o que acham errado, questionar o "politicamente correto ou incorreto" ou se mobilizar para manifestações, passeatas ou campanhas de assinaturas virtuais. Claro, que a internet oferece riscos, sobretudo com a avalanche de vírus e golpes virtuais praticados na rede, além da disponibilidade de conteúdo com mensagens racistas, tirânicas e propagadoras do ódio e da violência.

Mas, foi no campo da educação que a internet deu uma colaboração sem precedentes na história humana. Livros, revistas, artigos acadêmicos, obras de referência, conteúdo jornalístico, vídeos, debates e reflexões estão disponíveis gratuitamente na rede aos cidadãos de todas as classes sociais. Cursos livres, técnicos, de graduação e pós-graduação formam brasileiros todos os anos, alcançando através da Educação a Distância ou do ensino semipresencial os rincões mais distantes do país. Não é possível mais ignorar o poder que essa ferramenta da comunicação humana alcançou para o nosso dia a dia. Talvez, essa seja a razão pela qual alguns projetos e discursos no mundo contemporâneo estejam agindo para impor limites e controles a internet livre.

terça-feira, 4 de março de 2014

Fuga em massa

     Como havia prometido anteriormente, segue uma reportagem realizada pela equipe do suplemento dominical "Aurora", publicada no Diário de Pernambuco em novembro de 2013. Ela aborda o que todos já sabem: ser professor é uma profissão de risco. Risco de vida, de saúde, de agressão e de baixos salários e de uma exaustiva jornada de trabalho. O problema se torna maior porque a sociedade insiste em ver o professor como o indivíduo que apenas dá aulas e desconsidera que este profissional leva para casa, parte do trabalho que deveria ser feito no próprio espaço de trabalho.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Quero ser professor!

    A inocência das crianças é algo assustadoramente puro! A reportagem abaixo foi publicada no suplemento infantil "Diarinho", encartado todos os sábados no Diário de Pernambuco. A criança é um ser em formação e grande parte daquilo que elas professam é repensado ao longo da adolescência e da vida adulta. A opção pela docência que elas defendem muitas vezes é influenciada por alguém da família ou por algum grande professor que elas tiveram ao longo da vida. Mas, a realidade do trabalho pedagógico está muito além das aulas empolgantes ministradas por bons professores pelo mundo afora. Há uma parte da vida do educador que é ignorada pela sociedade e envolve planejamento de aulas, correção de provas, preenchimento de cadernetas, atendimento a pais ou responsáveis e formações continuadas. Na escola o professor ainda enfrenta uma estressante jornada de trabalho, o desinteresse de muitos alunos, a ausência da família em acompanhar as atividades pedagógicas do estudante, a burocracia estatal e o embate ideológico com segmentos sociais fora da escola, mas que querem valer sua influência dentro dela. O sonho das crianças é lindo e, sinceramente, não gostaria de vê-lo destruído. Mas, elas precisam ser conscientes de que a vida de quem opta pelo magistério não é nada fácil. Posteriormente, publicarei uma reportagem sobre as dificuldades enfrentadas pelos professores e a desmotivação que atinge a categoria.

História recontada nos livros escolares

    Fico imaginando como será o ensino de história nos próximos anos. Que bandeiras ideológicas irão orientar os professores em sala de aula? Como abordarão temas relevantes para a sociedade brasileira tão multifacetada em opiniões, crenças, valores e convicções ideológicas? E com relação ao regime militar. Será que eles abordarão as contradições internas entre os guerrilheiros de esquerda, presentes também entre os militares? Será que reduzirão o período a uma abordagem simplista e maniqueísta apresentando aos seus alunos grupos caricatos e polarizados entre herois e bandidos? Será que quando falarem da "Comissão da Verdade", mostrarão que dois ex-guerrilheiros foram presos após o escândalo do Mensalão? Bom, são questões que os mais jovens ainda verão no futuro. E a reportagem coloco para todos discutirem.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Professores contra a educação: o socialismo no ensino público

O artigo que se segue não agradará a todos, principalmente aqueles que, supostamente, defendem o ensino público através de seus discursos.

Por Rodrigo Constantino

“Fui hoje cedo à reunião com os pais na escola da minha filha, uma das mais fortes aqui no Rio. Escuto o diretor enaltecer a meritocracia. Afinal, trata-se de uma escola puxada, conhecida por sua cobrança bastante rígida.
Enquanto aguardava o começo da reunião, li a matéria no jornal O GLOBO sobre um sistema de parceria que leva até cursos bilíngues para os alunos da rede de ensino estadual. Ótimo, pensei. Mas qual não foi minha surpresa ao saber que o Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe) condenava a iniciativa!
Para o Sepe, este tipo de medida cria uma “elite” dentro do ensino público, e isso é inadmissível. Pior: pode levar a uma espécie de privatização do ensino, pois as entidades privadas que fazem as parcerias acabam tendo alguma voz interna, e isso ameaça o feudo dos professores sindicalizados. Eis o que diz o coordenador do Sepe, Alex Trentino:
A consequência é que são criadas escolas pretensamente de elite, melhores que as outras, com mais investimento, o que é exatamente o contrário do conceito de uma educação que deveria ser igual para todos. Brigamos para que se invista nas escolas que são mais carentes. E por mais que se diga que a iniciativa privada não faça a gestão da escola, sempre há interferência.
A coordenadora do Dupla Escola, que adotou a parceria, Maria Aparecida Pombo Freitas, rebate:
Das vagas que oferecemos, 90% são reservadas para alunos da própria rede pública. E o fato de haver um processo de seleção não deixa de ser uma preparação para o que aquele jovem vai encontrar mais à frente, em exames como o Enem.
Pois é. O mundo é meritocrático, ainda bem! Mas o que dizer de professores que combatem a meritocracia?
Ao pegar o carro para vir ao escritório, escuto na CBN propaganda justamente do Sepe, que realizará protestos hoje na Cinelândia. O motivo da passeata, logo o primeiro oferecido? Combater a meritocracia!
Que país louco é esse? Como podemos ter esperança no futuro da nação quando os próprios professores do sindicato são os primeiros a condenar a meritocracia? Isso é a ditadura da mediocridade! A visão igualitária marxista transportada para dentro das salas de aula (valeu, Paulo Freire!). É quase um crime!
Dez em cada dez pessoas mencionam a educação como a solução para nossos males. Mas esquecem de perguntar: qual educação? Jogar mais recurso público neste modelo atual, dominado por sindicatos com esta mentalidade, é a receita certa… do fracasso!
Pela lógica “igualitária” dessa gente, Oxford, Harvard e Yale jamais existiriam, pois seriam “elitistas” demais e, afinal, nem todos podem estudar lá. Ou seja, em nome da igualdade plena, acabamos com uma “mediocracia”: todos iguais nivelados por baixo. Isso só pode ser a idealização da inveja dos piores.
Como disse Thomas Sowell, muito frequentemente o ingrediente chave para o aumento explosivo do ressentimento está na ascensão de uma “intelligentsia” preocupada com comparações invejosas em vez de o bem-estar geral.
Sowell lembra que é impossível ensinar a todos no mesmo ritmo, a menos que tal ritmo seja reduzido para acomodar o menor denominador comum. É isso que o Sepe deseja para nosso ensino? Que, em nome da igualdade, a melhor escola e os melhores alunos tenham de ser sacrificados até alcançarem o mesmo nível dos piores?
Levando esta “lógica” adiante, para o país como um todo, então as (raras) boas escolas públicas no Rio e em São Paulo seriam injustas, uma vez que há escolas no interior do Piauí que jamais terão o mesmo desempenho. O que o Sepe está esperando para condená-las em nome da igualdade?
Confesso que é um dos maiores sentimentos de tristeza que tenho, viver em um país onde professores abertamente condenam a meritocracia. Meu desejo é que essa turma fosse toda para Cuba (eu até ajudo na passagem só de ida), e deixasse por aqui os melhores professores, aqueles que não temem a concorrência entre eles mesmos e entre alunos e escolas.
Só quer abolir a livre concorrência quem odeia o sucesso alheio. E, no processo, ao dar asas à inveja, o grande sacrificado é o próprio aluno, impedido de dar o melhor de si para não “ofender” os demais. Uma cultura dessas não pode parir um país desenvolvido. Jamais!

Fonte: CONSTANTINO, Rodrigo. Professores contra a educação: o socialismo no ensino público. Disponível em: < http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/cultura/professores-contra-a-educacao-o-socialismo-no-ensino-publico/>. Acesso em: 20 fev. 2013.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Eu acuso

Em um momento do seu ministério, o Senhor Jesus Cristo em Jo. 15.18-21 afirmou o seguinte: "Se o mundo odeia vocês, lembrem que ele me odiou primeiro. Se vocês fossem do mundo, o mundo os amaria por vocês serem dele. Mas eu os escolhi entre as pessoas do mundo, e vocês não são mais dele. Por isso o mundo odeia vocês. Lembrem do que eu disse: 'O empregado não é mais importante do que o patrão'. Se as pessoas que são do mundo me perseguiram, também perseguirão vocês; se elas obedeceram aos meus ensinamentos, também obedecerão aos ensinamentos de vocês. Por causa de mim, essas pessoas vão lhes fazer tudo isso porque não conhecem aquele que me enviou." E não é que desde a minha conversão atravesso situações dessa natureza. Na família, no Ensino Médio, na Universidade e enquanto educador. Se você também se sente perseguido por suas convicções, tidas como "conservadoras", "direitistas" ou "reacionárias", analise o artigo que se segue. Ele foi escrito por Luiz Felipe Pondé, pernambucano, filósofo, escritor e ensaísta, doutor pela USP, pós-doutorado em epistemologia pela Universidade de Tel Aviv, professor da PUC-SP e da Faap.

Por Luiz Felipe Pondé

Muitos alunos de universidade e ensino médio estão sendo acuados em sala de aula por recusarem a pregação marxista. São reprovados em trabalhos ou taxados de egoístas e insensíveis. No Enem, questões ideológicas obrigam esses jovens a "fingirem" que são marxistas para não terem resultados ruins.
Estamos entrando numa época de trevas no país. O bullying ideológico com os mais jovens é apenas o efeito, a causa é maior. Vejamos.
No cenário geral, desde a maldita ditadura, colou no país a imagem de que a esquerda é amante da liberdade. Mentira. Só analfabeto em história pensa isso. Também colou a imagem de que ela foi vítima da ditadura. Claro, muitas pessoas o foram, sofreram terríveis torturas e isso deve ser apurado. Mas, refiro-me ao projeto político da esquerda. Este se saiu muito bem porque conseguiu vender a imagem de que a esquerda é amante da liberdade, quando na realidade é extremamente autoritária.
Nas universidades, tomaram as ciências humanas, principalmente as sociais, a ponto de fazerem da universidade púlpito de pregação. No ensino médio, assumem que a única coisa que os alunos devem conhecer como "estudo do meio" é a realidade do MST, como se o mundo fosse feito apenas por seus parceiros políticos. Demonizam a atividade empresarial como se esta fosse feita por criminosos usurários. Se pudessem, sacrificariam um Shylock por dia.
Estamos entrando num período de trevas. Nos partidos políticos, a seita tomou o espectro ideológico na sua quase totalidade. Só há partidos de esquerda, centro-esquerda, esquerda corrupta (o que é normalíssimo) e do "pântano". Não há outra opção.
A camada média dos agentes da mídia também é bastante tomada por crentes. A própria magistratura não escapa da influência do credo em questão. Artistas brincam de amantes dos "black blocs" e se esquecem que tudo que têm vem do mercado de bens culturais. Mas o fato é que brincar de simpatizante de mascarado vende disco.
Em vez do debate de ideias, passam à violência difamatória, intimidação e recusam o jogo democrático em nome de uma suposta santidade política e moral que a história do século 20 na sua totalidade desmente. Usam táticas do fascismo mais antigo: eliminar o descrente antes de tudo pela redução dele ao silêncio, apostando no medo.
Mesmos os institutos culturais financiados por bancos despejam rios de dinheiro na formação de jovens intelectuais contra a sociedade de mercado, contra a liberdade de expressão e a favor do flerte com a violência "revolucionária".
Além da opção dos bancos por investirem em intelectuais da seita marxista (e suas similares), como a maioria esmagadora dos departamentos de ciências humanas estão fechados aos não crentes, dezenas de jovens não crentes na seita marxista soçobram no vazio profissional.
Logo quase não haverá resistência ao ataque à democracia entre nós. A ameaça da ditadura volta, não carregada por um golpe, mas erguida por um lento processo de aniquilamento de qualquer pensamento possível contra a seita.
E aí voltamos aos alunos. Além de sofrerem nas mãos de professores (claro que não se trata da totalidade da categoria) que acuam os não crentes, acusando-os de antiéticos porque não comungam com a crença "cubana", muitos desses jovens veem seu dia a dia confiscado pelo autoritarismo de colegas que se arvoram em representantes dos alunos ou das instituições de ensino, criando impasses cotidianos como invasão de reitorias e greves votadas por uma minoria que sequestra a liberdade da maioria de viver sua vida em paz.
Muitos desses movimentos são autoritários, inclusive porque trabalham também com a intimidação e difamação dos colegas não crentes. Pura truculência ideológica.
Como estes não crentes não formam um grupo, não são articulados nem têm tempo para sê-lo, a truculência dos autoritários faz um estrago diante da inexistência de uma resistência organizada.
Recebo muitos e-mails desses jovens. Um deles, especificamente, já desistiu de dois cursos de humanas por não aceitar a pregação. Uma vergonha para nós.

Fonte: PONDÉ, Luiz Felipe. Eu acuso. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/colunas/luizfelipeponde/2013/11/1366183-eu-acuso.shtml>. Acesso em: 9 jan. 2014.

domingo, 27 de outubro de 2013

Ainda o analfabetismo

    Os dados são tristes, sobretudo, para dois segmentos importantes da sociedade: os jovens e os idosos. É preocupante saber que quase 25% dos idosos não são alfabetizados e que existam tantos adolescentes e jovens em idade escolar, longe de qualquer processo alfabetizador, seja formal ou informal.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Prostíbulo perto de cinco escolas

   A denúncia que se segue não chega a ser uma novidade. Muitas escolas se transformaram nos últimos anos em território sem lei, onde prevalecem a ausência de respeito à autoridade, a violência e o tráfico de drogas. Todavia, cafetões e aliciadores de menores, perceberam que as escolas também podem fornecer garotos e garotas para servirem ao mercado da imoralidade e da prostituição. Se traficantes já rondam as escolas procurando transformar estudantes em potenciais consumidores de drogas, os aliciadores atraem os alunos com propostas de enriquecimento ou a realização de serviços variados. Torna-se fundamental a presença da família na escola e o diálogo constante com os filhos sobre esses problemas.

Denúncias de corrupção envolvem a Secretaria de Educação e Lazer da cidade do Recife

     Sou professor concursado e efetivo da rede municipal da cidade do Recife. É muito comum nas campanhas salariais, a prefeitura afirmar que não tem dinheiro para aumentar os salários e que vem realizando estudos técnicos para viabilizar uma educação de qualidade em todas as escolas. As denúncias que se seguem são graves. Mas graves, não apenas porque são denúncias de corrupção como tantas outras que existem pelo Brasil. Essas denúncias são a prova mais clara, de que existem recursos para disponibilizar uma educação decente aos filhos dos trabalhadores e contribuintes, já esmagados com uma absurda carga tributária. Muitos reclamam da ausência de investimentos em saúde, educação, transporte, moradia etc. Eu penso diferente. Existe muito dinheiro e investimentos nessas áreas. O grande problema, é que a maior parte do que é disponível, se perde na corrupção e nos intrincados meandros de um Estado inchado, gigante, ineficiente, pouco transparente e extremamente burocratizado. Os recursos que deveriam chegar a um determinado fim, são desviados para outras finalidades, inviabilizando o desenvolvimento de setores específicos para a população brasileira. São denúncias. Nada ainda foi provado. Mas tudo isso merece uma severa investigação.